Estudos paralelos ao trabalho, um desafio possível
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 08 de julho de 2015
Reportagem Local 
Um curso de pós-graduação, especialmente stricto sensu, exige dedicação e tempo para estudo, até mesmo em função do período de realização das aulas, frequentemente em horários comerciais durante a semana. Optar por esta modalidade pressupõe, para muitos, abrir mão de um salário melhor em prol da qualificação, por isso, é preciso ter um objetivo profissional bem traçado.
O professor de química da rede estadual, Paulo Nora, 31, iniciou este ano o mestrado em Ensino de Ciências e Educação Matemática. Se no ano anterior ele trabalhava 40 horas na rede estadual, neste está com a metade da carga horária e em apenas uma escola. Foi o ajuste necessário para equilibrar trabalho e pós-graduação, com vistas para o futuro.
"Estou estudando para ver se consigo entrar como professor no ensino superior", revela Nora. As aulas do mestrado tomam dois dias da semana e as mudanças na rotina revelaram a necessidade de organização para que o professor tenha tempo, ainda, para a família e o lazer aos finais de semana. Segundo ele, atividades como academia e aulas de violão também foram mantidas.
"Tem de equilibrar o intelectual, o físico, o afetivo", explica. Em virtude da greve que bagunçou o calendário das escolas estaduais, Nora diz que o processo está mais tumultuado no momento, com acúmulo de atividades. Também não são poucos os livros e artigos para ler e que exigem concentração, mesmo assim, ele se mostra focado.
"Quando se propõe a fazer alguma coisa, tem um objetivo, a gente canaliza energias para isso", explica o mestrando. Nora está fazendo um estudo científico sobre as questões do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), com o objetivo de verificar se elas incentivam a iniciação científica. "Não é como na graduação, para tirar notas, é um estudo que a gente quer tocar para a vida", diz.
Para o professor, estudar significa se aprimorar profissional e pessoalmente, uma vez que o conhecimento adquirido melhora a visão de mundo. Ele afirma que toda mudança traz desconforto no início, inclusive um salário menor, mas o foco deve ser nos resultados, que ele tem bem claros: "Espero em 2020 já ser doutor".
DECISÃO VITORIOSA
A psicóloga Juliana Taki, 42, passou os dois últimos anos em uma rotina frenética que a fez adoecer. Após tomar vários remédios e passar por muitos médicos, ela descobriu que a reação alérgica havia sido causada por estresse justificado pela rotina de trabalho na clínica e a carga de estudo do mestrado em Neuropsicologia.
Psicóloga há 18 anos, Juliana optou por fazer uma especialização no Centro de Diagnóstico Neuropsicólogico, em 2013. No entanto, ao começar o curso, foi informada de que a instituição buscava aprovação do MEC para transformar o curso em um mestrado. Com isso, o ritmo do curso foi alterado e ele passou a ter um viés de pesquisa.
"As aulas são aos sábados e domingos e eu atendo no consultório todos os dias, então, acabava chegando em casa à noite e fazendo os trabalhos", conta. Não raro, as noites de estudo estendiam-se até a madrugada, sem contar nas muitas festas e reuniões familiares das quais ela precisou abrir mão.
"Em março do ano passado cheguei a bater o carro, passei no sinal vermelho, estava muito cansada. Chorei bastante e pensei em desistir", relembra ela, que é casada e mãe de um menino de 10 anos, para quem quer deixar bons referenciais. "Se eu começo a desistir das coisas, que tipo de exemplo eu passo para ele?", questiona.
Juliana diz que o auxílio dos pais foi essencial na caminhada, bem como a organização do tempo. Prestes a concluir o curso com a entrega do trabalho final em setembro, ela revela o sentimento diante da conquista. "Me sinto vitoriosa".




