Estudo investiga colapso do sistema carcerário brasileiro
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sábado, 16 de outubro de 2004
Vannildo Mendes<br>Agência Estado 
Brasília - Está sobre a mesa do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, um assunto cuja solução o governo federal não pode mais adiar. Preparado pelo diretor do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), Clayton Nunes, o estudo mostra que o sistema carcerário brasileiro entrou em colapso e pode explodir a qualquer momento. A cada mês, cerca de nove mil pessoas entram e 5,5 mil saem das prisões. Para suprir o déficit mensal de 3,5 mil vagas, o Brasil precisaria construir sete penitenciárias de 500 vagas a cada mês, ao custo de R$ 15 milhões cada. Mas não há dinheiro.
O País precisaria investir R$ 1,2 bilhão, hoje, para suprir o déficit de vagas existente no sistema. Mas o Fundo Penitenciário Nacional (Funpen) dispõe de apenas R$ 200 milhões para gastar em 2004, dos quais, somente R$ 120 milhões na construção de novos presídios. Para complicar o quadro, o número de prisões em regime fechado aumentou consideravelmente no governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Em conseqüência, o déficit de vagas nos presídios subiu de 57 mil em 2002 para 116 mil em 2003.
As rebeliões também praticamente dobraram em número e se tornaram mais violentas. Segundo Nunes, os principais culpados por esse quadro são a Justiça e os aparelhos de segurança pública dos Estados, que não estariam respeitando a lei de execuções penais e mandando gente demais para a prisão, em vez de aplicar penas alternativas para os delitos de baixo potencial. Falta vergonha na cara dos responsáveis pela execução penal no País, desabafou o dirigente, em depoimento dramático feito nesta semana perante o Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana do Ministério da Justiça.
Os números levantados por Nunes comprovam a opção brasileira pela prisão em regime fechado. Em 1992, o Brasil tinha 74 presos por 100 mil habitantes (taxa de 0,07% da população). Em 2003, o índice era de 308 presos por 100 mil habitantes (0,18% da população). Se nada for feito para reverter essa curva, conforme o diretor do Depen, em 2007, ao final do governo Lula, o País terá 476 mil presos e a conta para eliminar o déficit de vagas estará em R$ 3,3 bilhões.
O número de presos no Brasil passou de 240 mil em 2002 para 308 mil em 2003, enquanto a oferta de vagas aumentou muito pouco, passando de 182 mil para 191 mil no período, a menor variação desde 1995. Do total de detentos, 130 mil estão em São Paulo, a segunda maior população carcerária da América Latina, perdendo apenas para a Cidade do México (177 mil).
Mais de 50% dos presidiários brasileiros são jovens com menos de 25 anos de idade, dos quais, cerca de 90% são do sexo masculino, de baixa escolaridade, pobres e de cor negra ou parda.


