Estudo aponta fatores para expansão
PUBLICAÇÃO
domingo, 07 de setembro de 1997
Lorena Aubrift Klenk Curitiba 
O aumento do sistema de franquias, o desemprego crescente, a terceirização e a tendência das grandes empresas em darem lugar a várias pequenas são alguns dos itens apontados por especialistas como fatores que garantem a expansão do número de pequenas empresas. No Paraná, um estudo sobre a cadeia produtiva industrial feito por professores do Departamento de Administração da Universidade Federal do Paraná aponta um espaço importante a ser ocupado pelos pequenos.
O estudo, coordenado pelo professor João Carlos da Cunha, concluiu que as grandes empresas paranaenses fazem, em média, apenas entre 3% e 7% do valor de suas compras no próprio Estado. Segundo Cunha, os dados se relacionam às pequenas empresas na medida em que elas aparecem na cadeia produtiva a partir do terceiro nível e, muitas vezes, até no segundo. A não ser em setores mono ou oligolopolizados, ou na indústria pesada, a tendência é que cada vez mais os fornecedores da indústria sejam pequenos, afirma o professor.
Segundo ele, as alegações das grandes indústrias paranaenses para não se abastecerem no próprio Estado estão ligadas a preço e qualidade do produto, volume de produção e resistência dos pequenos em evoluir. A visão dos grandes é que os pequenos não parecem preocupados em crescer e ser mais competitivos, diz Cunha.
Segundo ele, o estudo identificou que o principal problema da pequena empresa é mesmo gerencial. O Paraná tem ótimas organizações que preparam mão-de-obra, tem bons órgãos de assistência aos pequenos e órgãos financiadores atuantes, diz.
Outro problema apontado pelo professor é a excessiva diversificação na atividade dos pequenos. De modo geral, eles têm um leque grande de produção. O ideal é restringir a produção a poucos produtos e ser muito competente no que faz, recomenda.
RelacionamentoMas, se compra pouco das pequenas empresas paranaenses e vê falhas no segmento, a grande indústria também parece ter a sua parcela de responsabilidade por isso. Uma outra pesquisa, também coordenada por Cunha, procurou ver como é o relacionamento cliente-fornecedor nas cadeias produtivas.
Essa pesquisa constatou que o apoio dos grandes ainda é irrisório em transferência de tecnologia, apoio logístico e garantia de compra - fatores considerados importantes para o crescimento do fornecedor. O apoio mais comum consiste em treinamento e ajuda na implantação de sistemas de qualidade. Das empresas consultadas, a maioria organiza programas de desenvolvimento com no máximo 5% de seus fornecedores.
Se essa situação não mudar, se as pequenas empresas do Paraná não se adaptarem, a vinda de novas indústrias para o Estado tende a beneficiar as cadeias produtivas de outros estados, reduzindo os benefícios para a economia local, afirma Cunha.


