A reeleição para o governo federal e para 14 dos 27 Estados do Brasil na eleição deste ano revelaram a aprovação da continuidade das políticas públicas adotadas nos últimos quatro anos. Ao mesmo tempo, a instituição criada pelo tucano Fernando Henrique Cardoso, em 1997, precisa ser alvo de mudanças na reforma política a fim de evitar o uso da máquina pública e garantir a igualdade de condições entres os concorrentes. A avaliação foi feita ontem à FOLHA pelos cientistas políticos Ricardo Costa de Oliveira e Antonio Celso Mendes, diante dos resultados que reconduziram Roberto Requião (PDMB) ao governo do Estado e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência da República.
Docente da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), em Curitiba, Mendes classificou as duas reeleições e as de outros 13 Estados como uma espécie de melhoria da performance política no Brasil. ''Se esse pessoal todo foi reeleito, é porque o eleitorado ficou contente com o governo anterior'', destacou o cientista, para quem o uso da estrutura administrativa como forma de obter vantagem - o uso da máquina -, desta vez, foi menor que em outros pleitos.
''As condições de fiscalização são precárias, mas este ano a minirreforma eleitoral, as denúncias constantes e a imprensa contribuíram para coibir os abusos. Ainda assim, há muito a se fazer na reforma política para disciplinar a reeleição'', afirmou. Para ele, um ponto fundamental é rever, por exemplo, a necessidade de licença do cargo tão logo o candidato assim se defina. Perguntado sobre os resultados de ontem, respondeu: ''A derrota de Alckmin demonstrou a falta de marketing do PSDB e de consenso, já que Alckmin impôs sua candidatura. Por outro lado, ganhou o populismo de Lula e a identidade do discurso dele com os anseios populares. Mas foi ele que ganhou, e agora - o PT, mesmo, está morto''.
Oliveira, que é professor na Universidade Federal do Paraná (UFPR), também destacou o aspecto de ''aprovação da situação'' trazido pela reeleição. Porém, o cientista credita o bom desempenho de Lula no País o índice de 51,85% de governadores reeleitos ao ambiente político criado pelo petista. ''Lula foi bem avaliado, bem votado, e isso proporcionou uma atmosfera positiva a quem tentava se reeleger - independente do partido ou grupo político. No fim, isso acabou meio que confundindo o eleitor'', ponderou.
''Houve menos uso da máquina agora, por exemplo, mas ainda há que se fortalecer a burocracia moderna, max-weberiana, para que haja mais pessoal concursado que os de indicação política (comissionados). Isso fortalece o serviço público e representa o desafio da modernização do Estado'', considerou Mendes. Sobre os resultados de Lula e Alckmin, Mendes resumiu: ''A reeleição do PT é uma resposta de que quem vence uma eleição tem que ter política social - tanto que os municípios mais pobres é que deram vitória a Lula e mesmo ao Requião''.

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