Estudando a prática da comunicação
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 22 de novembro de 1996
Fabiano Camargo 
O longo espaço que divide a teoria acadêmica da prática profissional motivou um grupo de estudantes de Jornalismo, Publicidade e Relações Públicas da Universidade Federal do Paraná a arregaçar as mangas. De olho na chance de experimentar o mercado de trabalho, fundaram a Fábrica de Comunicação, a primeira agência de comunicação júnior do sul do país. A idéia é antiga. Em 1989, alunos de publicidade chegaram a iniciar uma agência experimental, mas por falta de estrutura o negócio acabou não vingando.
Criada por 30 alunos há um ano e totalmente dirigida pelos acadêmicos até hoje, a Fábrica de Comunicação vem prestando serviços para micros e pequenas empresas que não têm muitos recursos. Uma empresa júnior funciona como uma associação civil, sem fins lucrativos. Os estudantes que trabalham na Fábrica não são remunerados e alternam-se nos cargos em períodos de um ano, para abrir espaço para os calouros e dar continuidade ao projeto. Todo o faturamento é reinvestido na própria Fábrica. Já compramos computador e fax, comemora um dos diretores, Sidney Sadao Abe, 19 anos, estudante do 2º ano de publicidade.
Prestando serviços na área do jornalismo, assessoria de imprensa e relações públicas, além da publicidade, a Fábrica de Comunicação oferece custos cerca de 50% mais baratos que o mercado. Esse fator, aliado à criatividade dos jovens profissionais, já atraiu muitos empresários: a Fábrica já realizou cerca de 20 projetos. Alguns tiveram alcance modesto, como cartazes para a divulgação de cursos e eventos dentro da própria UFPR. Outros foram mais longe, como um jornal com circulação dirigida para hospitais e clínicas médicas do estado, o Jornal do Cemprev (Centro de Medicina Preventiva), a confecção de outdoors para a Associação Paranaense de Fisioterapia e a remodelação da marca de artigos esportivos Iron Man.
Para conquistar a clientela, os integrantes da agência investem no profissionalismo, o que garantiu apoio de organizações como o Sebrae. Desde o atendimento e a divisão de departamentos até a produção, trabalhamos como uma agência comercial normal, conta Thaís Correia, 18 anos. Quando temos muita coisa em produção, nosso horário é elástico e azar dos fins de semana. Nas férias, fazemos escalas que garantem o funcionamento.
O projeto da Fábrica vem contribuindo para a formação profissional. Atendemos clientes reais, é muito diferente de fazer um trabalho para o professor dar nota, completa Helena Carnieri, 18. Num estágio, nunca teríamos a chance de participar de todo o processo de criação de uma campanha, acrescenta Gisele Sakamoto, 19.
Colocando a mão na massa desde cedo, os estudantes aprofundam os estudos. Muitas vezes aprendemos determinados assuntos antes de ter aula. Para isso, temos que ler muito e consultar professores, informa Eduardo Nunes Militão, 18. Além das dicas dos professores e de um espaço modesto na sede da Praça Santos Andrade, eles contam com uma ajuda da universidade. Usamos os laboratórios de computação e ilha de vídeo. Mas, para fazer o negócio funcionar, tivemos até que tirar um pouco de dinheiro do bolso, conta Sidney Abe. Para entrar em contato com a Fábrica de Comunicação: Fone: 362-3038 (R: 5448).


