Hoje, o disco em vinil do clássico ‘‘Velvet Underground & Nico’’, dos norte-americanos do Velvet Underground, vende mais do que quando foi lançado originalmente, em 1967. Se a transgressão e as distorções da obra-prima, mesclando letras sobre drogas pesadas, como a heroína, e sadomasoquismo, fizeram o disco encalhar nas prateleiras no período do lançamento, hoje ele é disputado por colecionadores ou novos entusiastas.
  Por uma bagatela de R$ 180, qualquer um pode ter um vinil igualzinho ao original da época, com a capa imaginada pelo artista plástico Andy Warhol (a casca da famosa banana da capa pode ser destacada, fazendo com que apareça uma banana rosa por baixo) e tudo o que se tem direito. Basta importar.
  Colecionador, fã de música e ex-proprietário de uma loja de discos, o curitibano Horácio De Bonis é quase como um realizador de sonhos de quem não quer só a música (que hoje pode ser encontrada fácil em qualquer blog perto de você) e sim deseja mais: quer capa, quer encarte, quer o objeto, quer a qualidade de som, quer raridade, quer exclusividade.
  Importador de CDs e LPs desde quando tinha uma loja em Curitiba, entre os idos de 1991 e 1999, De Bonis traz do exterior qualquer disco que seus clientes desejam: vinis raros, obras de artistas desconhecidos, relançamentos, edições de luxo, CDs que não chegaram às lojas brasileiras e que nunca vão chegar. O comércio é praticamente profissão e conta com clientes fiéis. Tem gente que toda semana aparece no apartamento-loja bacana que De Bonis mantém no Centro da Capital e sempre leva alguma coisa.
  A importação de música em tempos de Myspace, Torrent, blogs, download – o mundo do tudo muito rápido, fácil e sem custos – pode parecer um mercado mais próximo da forca do que do êxito. Não é o que diz De Bonis. Enquanto o MP3 matou a venda de CDs nas lojas, o disco de vinil continua em alta.
  Segundo De Bonis, o motivo é que muitas pessoas querem ter o disco físico do artista preferido, independente de quanto tenha que desembolsar para isso. ‘‘Muita gente pode achar um absurdo pagar R$ 180 em um vinil, mas tem gente que não se importa’’, diz. O que importa realmente é ter a obra em mãos.
  O hábito dos colecionadores - porque, sim, os compradores de discos importados são sempre colecionadores, mesmo que por motivos diferentes - faz com que o mercado se expanda cada vez mais. Se no início De Bonis trazia do exterior mais CDs, hoje os discos de vinil representam em torno de 20% de suas importações. Por semana, são, em média, 200 novos discos, entre CDs e LPs, em preços médios de R$ 70 ou R$ 80. Mas existem materiais mais caros. Uma caixa com sete vinis da banda islandesa Sigur Rós custa R$ 700 a quem quiser importá-la.
  A explicação para o aumento é a maior oferta de material. ‘‘Muita coisa está sendo relançada. Há também artistas novos lançando em CD e LP. Há alguns anos, não se poderia nem imaginar isso’’, comenta o importador. Um exemplo é um caixa da banda britânica de trip hop Portishead. O último disco da banda, ‘‘Third’’, chegou às lojas estrangeiras em edição especial, com vinis, singles e um pen-drive em forma de ‘‘P’’ (o mesmo que está na capa) trazendo algumas canções. É material como este, exclusivo, que atrai os amantes não só da música, mas também da forma. O conjunto todo custa R$ 220. Todas as unidades trazidas por De Bonis foram vendidas. E faltou.
  Outro fator que faz com que o público procure a importação, além do fato óbvio de não encontrar esse material no Brasil, está na frieza das lojas. ‘‘O público que consome esta música diferente está carente de locais. Não há mais um atendimento especializado e não encontra discos que não estão na mídia’’, comenta.
  O que De Bonis faz acaba se tornando um atendimento personalizado, com dicas de lançamentos e qualidade da música – é um consultor, como se define. ‘‘Tem clientes que agradecem tanto pelo disco que extrapola a coisa do comércio.’’ Vira afeto.

Curiosidades:
- Entre os importados, os estilos mais pedidos em vinil são rock e jazz.
- Em se tratando de CDs, além de jazz e rock, há muito importação de música eletrônica e world music.
- O Velvet Underground está entra as bandas com discos mais improtados.


SERVIÇO
- Quem se interessou e quer importar discos, Horácio De Bonis pode ser contactado pelo e-mail [email protected].

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