Curitiba inspira diferentes reações aos estrangeiros que por aqui chegam. A alemã Katja Reinecke, 30 anos, conta que se decepcionou quando chegou à cidade e não encontrou o ar europeu de que lhe falavam. A argentina Cecília Arrolave, 21, se surpreendeu ao encontrar macacos no Passeio Público, em pleno centro da cidade. E o americano Christopher O'Hare, 30, adorou o sistema de transporte coletivo.
Estes representantes de três continentes distintos - Europa, América do Sul e América do Norte - vieram por diferentes motivos para a capital paranaense, mas aqui tornaram-se membros de uma mesma irmandade de estrangeiros que desejam conhecer um Brasil diferente daquele estereotipado na imagem de sambistas e florestas tropicais.
De acordo com a Divisão de Cadastros e Registros de Estrangeiros da Polícia Federal, atualmente moram no Paraná 39.245 estrangeiros, que vêm ao estado pelos mais variados motivos. Christopher veio a Curitiba para estudar a política energética brasileira, focada nos biocombustíveis. Estudante de administração internacional, ele agora procura emprego em alguma multinacional para se estabelecer na cidade.
Katja chegou em agosto de 2006 e permanecerá por tempo indeterminado, ela ministra aulas na Universidade Federal do Paraná no curso de Letras Alemão e trabalha em uma agência que possibilita intercâmbios para a Alemanha. A argentina Cecília estuda jornalismo e fez intercâmbio através de um convênio que sua universidade tem com a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-Paraná)
Há sete semanas no Paraná, o americano Christopher ainda tem problemas com a língua portuguesa, que considera bem difícil. Antes de deixar os EUA, assustou-se ao assistir ao filme ''Cidade de Deus'', do diretor Fernando Meirelles, que tem como cenário uma favela carioca. Ele conta que ficou aliviado ao constatar que o Sul do País é bem diferente do filme. ''Aqui tem pessoas mais dedicadas e menos favelas do que no Rio de Janeiro'' observa. Depois de passar uma temporada na capital fluminense, ele afirma que a vida em Curitiba é bem mais fácil do que no Rio.
O contraste com a realidade carioca também foi observado por Cecília. Assim que chegou ao país achava o sistema de ônibus coletivos da capital paranaense complicado. ''Depois que conheci o Rio de Janeiro vi porque é bom o transporte aqui'' reconhece.
As possibilidades de locomoção também chamaram a atenção da alemã Katja, que está vendendo seu carro. ''Gosto quando uma cidade permite que você se locomova a pé ou de bicicleta'', conta. Segundo ela, em comparação com as outras capitais brasileiras que conheceu, como Porto Alegre e Florianópolis, é mais fácil se orientar em Curitiba.
A comida é outro ponto onde as opiniões convergem. Logo que chegou, Katja achava a comida paranaense muito pesada, agora ela tem que tomar cuidado para não exagerar nos doces. Assim como ela, Christopher adorou o barreado que provou em Morretes. Cecília ainda não conhece este prato, mas não dispensa uma feijoada.
A índole do curitibano também intriga os estrangeiros, o americano achou o povo afetuoso ''beijar em público é comum aqui'', surpreende-se. A alemã achou o povo bem educado, porém distante: ''Eles ficam mais na deles'' observa. A argentina, por sua vez, não viu muita diferença entre o povo de Curitiba e de Buenos Aires. Torcedora do Riverplate, ela já encontrou o time de sua preferência no Brasil, o Grêmio de Porto Alegre.

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