Estrada simboliza descaso com região
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quarta-feira, 08 de outubro de 1997
Sid Sauer Campo Mourão 
Simone Giroto
Trecho incompleto da Boiadeira e obras da Santa Casa: tudo parado Uma estrada que começou a ser construída em 1906, foi concluída em 1910 e que desde a década de 1950 tem sua pavimentação reivindicada já deveria estar pronta. Ainda mais quando essa estrada é rota importante, ligando o Mato Grosso do Sul e todo o Noroeste do Estado com o Porto de Paranaguá. O asfaltamento da BR-487, a Estrada Boiadeira, no entanto, ainda não foi feito. As obras chegaram a começar há 10 anos, mas pararam quatro anos depois, com apenas 20 quilômetros pavimentados.
De 1991 até hoje, a velha Boiadeira só não caiu no esquecimento completo porque se tornou uma espécie de símbolo do descaso e uma das principais reinvidicações de Campo Mourão. Dezenas de quilômetros da terraplenagem que já estava pronta entre Campo Mourão e Cruzeiro do Oeste foram, literalmente, para o buraco. Isso porque a erosão não teve mais paciência de esperar e tratou de devorar quilômetros de trabalho realizado. De nada adiantaram protestos de autoridades e nem mesmo uma denúncia do Ministério Público.
ComemoraçãoA Boca Maldita de Campo Mourão chegou a preparar uma forma bem humorada de protestar pela não pavimantação da rodovia. Organizou durante vários anos seguidos uma comemoração pelo aniversário da reivindicação do asfalto. A festa tinha direito até a bolo em forma de estrada abandonada. Antes do corte, no entanto, uma caravana partia em expedição até o trecho onde as obras foram paralisadas, na comunidade de Nova Brasília, no município vizinho de Araruna. Apesar de chegarem a atrair até o então governador Roberto Requião, os protestos foram infrutíferos.
A reivindicação, porém, é bem mais antiga. De acordo com relatos, o pedido de asfalto para a rodovia teria sido feito pela primeria vez em 1950, quando Campo Mourão, com apenas três anos de vida, vivia sua primeira administração independente. Em 50, o Brasil vivia a tragédia da Copa do Mundo perdida para o Uruguai em pleno Maracanã. O Rio de Janeiro era a Capital Federal e Brasília não existia nem em sonho. A indústria automobilística também era inexistente e apenas São Paulo tinha emissora de TV.


