Estigma da doença permanece e o preconceito marginaliza
Curitiba - Apesar de abolido o isolamento ao portador da hanseníase, a sociedade continua a excluir o paciente, só que em pensamento. O estigma da doença permanece e o preconceito ainda marginaliza os hansenianos. Não bastou cair em desuso o termo ''lepra'' e ser adotado hanseníase.
Não bastou saber que a doença tem cura, e que apesar de infecto-contagiosa, a transmissão só ocorre quando o indivíduo possui muitas lesões e o contato com a pessoa sadia apenas 10% da população é suscetível seja prolongado e constante. Para quem faz o tratamento, desde a primeira dose, não existe mais risco de contágio.
''Mesmo sabendo que alguém tenha, não é preciso ter receio. O indíviduo que é tratado não transmite a doença e as lesões demoram mais para cicatrizar. Isolamento é coisa do passado. A lepra também. Hoje só tratamos de hanseníase, que tem cura'', enfatiza, Jesus Santamaria, chefe do serviço de Dermatalogia do Hospital das Clínicas.
De acordo com ele, não existe mais a frequência de casos com absorção óssea, úlceras avançadas e mutilações. Isso porque aumentou o número de diagnósticos precoces, que podem ser feitos em qualquer posto e hospital da rede pública de saúde. ''O tratamento é gratuito e simples'', diz.
Para quem apresenta mais de cinco manchas na pele, o tratamento dura seis meses, para lesões acima desse número, o paciente é medicado durante 12 meses. ''O tratamento dá 98% de índice de cura. Por ser uma doença endêmica, é que se faz um controle das pessoas que convivem com o paciente. A saúde pública orienta que a família seja submetida a exames dermato-neurológica (pele e nervos periféricos)'', esclarece Santamaria, lembrando que a maior incidência se dá em pessoas de renda baixa.
A hanseníase lesiona a pele e os nervos periféricos, provocando um amortecimento, por isso, é comum existir feridas em pacientes mesmo curados, porque eles não percebem que hábitos comuns, como usar calçados, podem provocar feridas, caso sejam apertados e os nervos do pé tenham sido acometidos pela doença. ''A hanseníase ainda está ligada historicamente a imagem de destruição e a deformidade. Há 30 anos, eu atendo casos da doença e digo que esses casos reduziram bastante, quase não existem mais. Oriento que as pessoas não tenham vergonha e não se isolem'', disse Jesus Santamaria.
O Programa de Eliminação da Hanseníase é executado de forma descentralizada no Estado para as 22 regionais de saúde e secretarias muncipais de saúde. ''É a forma das ações chegarem mais próximas dos pacientes. Buscamos trabalhar com qualidade e humanização. Não se resume a dar uma cartela de remédio. Estimulamos o auto-cuidado'', disse a sanitarista Nivera Noêmia Stremel, coordenadora estadual do programa. ''A medida que as pessoas conhecerem a doença, não terão mais preconceito. Pedimos para cada pessoa que escute sobre a hanseníase multiplique a informação'', sugere.
O Paraná é o único Estado da região Sul que não eliminou a hanseníase como problema de saúde pública.(F.G.)





