O atual bloquinho de EstaR está com os dias contados. A Prefeitura quer implantar, até o final do ano, algumas mudanças no Estacionamento Regulamentado (EstaR) na cidade. A principal novidade será a adoção de cartões no modelo raspadinha, que irão substituir gradativamente o sistema atual, de preenchimento a caneta. A intenção é criar um mecanismo mais seguro e acabar com as fraudes e falsificações feitas atualmente.
Nem o medo de pagar uma multa ou perder pontos na carteira de motorista têm inibido os infratores. Adulterar, rasurar, fraudar ou preencher de forma errada o cartão do EstaR são infrações previstas no Código de Trânsito Brasileiro que podem resultar em multa de R$ 53,20, além de três pontos na carteira de motorista.
Ainda assim, a estimativa é que 30% dos cartões utilizados sejam fraudados, o correspondente a 150 mil cartões irregulares por mês contra 500 mil preenchidos corretamente. As fraudes mais comuns são o uso de canetas que apagam, lavagem do cartão com produto químico, colagens usando partes de outros cartões e, ainda, uso de xerox.
Outra mudança prevista para este ano refere-se à distribuição dos cartões, que passarão a ser vendidos pelo comércio e não mais pelas agentes de trânsito, como é feito hoje. Para isso, a Urbs vai fazer licitação e contratar uma empresa responsável pela distribuição dos cartões nas lojas. Além de aumentar as opções de compra para o usuário, a mudança vai permitir que as agentes concentrem seu tempo na fiscalização do sistema.
''Hoje as agentes têm que carregar muito peso, além de andar com dinheiro, o que aumenta as chances de serem assaltadas, como já foram algumas, sem falar no tempo que elas gastam fazendo a comercialização dos blocos'', explica a diretora do Departamento de Trânsito (Diretran) da Companhia de Urbanização de Curitiba (Urbs), Rosângela Battistella. Hoje a venda é feita pelas agentes, em 35 pontos de venda credenciados junto à Urbs e por cuidadores de carros e lugares não cadastrados, que compram os blocos e vendem as folhas soltas em valor acima do preço estipulado.
''Nós queremos diminuir as falsificações, o que não têm muita explicação, porque o Estar é muito barato em comparação com outras cidades'', diz Rosângela. A folha, que permite o estacionamento por uma hora, sai por até R$ 2,00 em outras cidades, enquanto em Curitiba seu valor é de R$ 0,75.
Nem sempre é o usuário quem frauda o cartão. Segundo Rosângela, às vezes o motorista nem sabe que está usando um cartão irregular, que já é vendido adulterado por guardadores de carros. ''Já aconteceu o caso de um guardador ser preso por isso. O problema é que eles são liberados em seguida e acabam retornando'', conta.
Por esses motivos, a Urbs criou uma comissão de estudos para modernização do EstaR. Para tornar o sistema ainda mais seguro, mesmo o cartão no modelo raspadinha deve receber alterações, de tempos em tempos, como mudança de cor ou troca de código de barra. A comissão avalia vários sistemas existentes, e que podem ser usados em Curitiba a partir do próximo ano, entre eles a compra de crédito por celular e a adoção de parquímetros. Também há a possibilidade de se adotar um mix de sistemas, com crédito em celular, parquímetro e cartão.
Para a Urbs, as fraudes nos cartões significam também perda de receita. Hoje o órgão arrecada mensalmente R$ 375 mil com a venda de 50 mil blocos (com 10 cartões). Os 150 mil cartões fraudados signficam R$ 112 mil não pagos. Além da venda dos cartões, outra fonte de receita são as multas.
Todo mês são emitidos em média 29 mil avisos de infração, a maior parte por falta de cartão e horário vencido. A maioria dos motoristas, no entanto, consegue regularizar a situação, antes de receber a multa, indo na Urbs ou junto às agentes de trânsito em 48 horas e pagando a quantia de R$ 7,50. Ou seja, com os avisos a Urbs arrecada no mínimo R$ 215 mil. Os recursos revertem para o próprio EstaR, em gastos com sinalização, confecção dos cartões, uniforme das agentes, entre outros gastos.

mockup