OPINIÃO
‘‘Estamos no centro do Mercosul’’
Yuji TsudaHá várias razões para termos escolhido o Paraná e Santa Catarina como mercado de nossa operação. Uma delas é que aqui está um de nossos mais importantes acionistas, a Inepar. Eles conhecem muito bem os negócios e nós contamos com uma boa cooperação deles. Também porque estamos bem no centro da comunidade do Mercosul, entre o Rio e São Paulo e Buenos Aires, na Argentina. E esperamos bons resultados aqui, porque se trata de uma região próspera, onde podemos crescer muito, muito rápido. Trata-se de um mercado muito bom para os operadores.
Outra razão é o próprio povo brasileiro, especialmente do Paraná e Santa Catarina. É um povo muito trabalhador e honesto. Além disso, aqui no Paraná, há muitos descendentes de japoneses, o que nos aproxima mais, já que os dois maiores acionistas da Global são empresas japonesas, a DDI e a Nissho Iwai. Acho que tivemos muita sorte em conseguir a concessão da Banda B nestes dois Estados.
Já investimos aqui mais de US$ 100 milhões, apenas na construção da infra-estrutura de operação. E nos próximos quatro anos devemos investir outros US$ 250 milhões. Temos já cerca de 300 funcionários e outros 500 empregados temporários.
Gostaria de acrescentar que me venderam uma imagem preconceituosa do povo brasileiro, quando estava vindo para cá. Aliás, de todos os sul-americanos. Diziam que eram preguiçosos, nunca pontuais e que não cumpriam suas promessas. E quando comecei a trabalhar em São Paulo e em Curitiba, descobri que a informação estava errada. Na verdade, acho que é um povo muito trabalhador. Minha impressão mudou completamente. O povo brasileiro trabalha muito, mesmo comparado com o asiático. São trabalhadores voluntários, e bons, para seu próprio benefício. Muitas vezes escuto funcionários dizendo que gostariam de andar com seus próprios pés. Crescer como indivíduos. Fico muito satisfeito ao ouvir isso. São muito parecidos com os japoneses.
Com relação à economia brasileira, também sou muito otimista. Não sinto nenhuma dificuldade em trabalhar aqui. É claro que a competição é muito dura, mas temos de competir. E a estratégia da Global Telecom é contribuir para a sociedade. Esta é a nossa primeira preocupação. Na medida em que contribuímos, crescemos como operadores. Temos de oferecer um bom serviço.
Ainda sobre essa nossa contribuição para a sociedade, vejo muitas formas de fazer isso. Um exemplo é a nossa preocupação com o meio ambiente. Os usuários de telefones celulares podem entregar suas baterias usadas em qualquer loja da Global Telecom. A empresa as envia aos fabricantes, que dará a elas a destinação correta, evitando riscos ao meio ambiente. E temos planos para desenvolver essas e outras ações em todas as cidades em que atuamos.
Nós conseguimos a licença de operação no dia 8 de abril do ano passado. Começamos a preparação em julho e conseguimos entrar em operação no dia 10 de dezembro, portanto, cinco meses depois. E começamos do nada. Isto é digno de nota. No Japão, levaríamos pelo menos um ano e meio. Os acionistas japoneses não acreditavam que conseguiríamos. Mas nós o fizemos.
Eu mesmo fico surpreso. As pessoas da Global Telecom e fornecedores trabalharam muito, e de forma coesa. Por exemplo, no caso das estaçõesbase, normalmente no Japão é necessário um ano. Mas, no nosso caso, fizemos em dois ou três meses. Foi um grande desafio.
Foi mais difícil porque nossos concorrentes já tinham toda a infra-estrutura montada, dispõem de grandes redes já montadas. E nós, como segundo operadores, não conseguiríamos começar os negócios com uma rede do mesmo tamanho. Leva muito tempo. Mas asseguramos o investimento dos acionistas, o que é muito difícil para o segundo operador – mesmo começando com cerca de 60% da rede. E agora estamos expandindo. Em cerca de três anos estaremos com o mesmo tamanho dos concorrentes.
YUJI TSUDA é diretor-presidente da Global Telecom

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