‘‘Estado que quer criar
renda deve diversificar’’
Kraw PenasPara Jaime Lerner, desafio agora é garantir atenção ao pequeno produtor e ao trabalhador ruralFolha: O pequeno agricultor pode fazer diferença na luta contra a fome no mundo?
Lerner: Nunca se produziu tanto no Paraná. Está muito clara a maneira como a agricultura do Paraná está sabendo agregar a tecnologia para ampliar sua produção. O Estado é bem organizado e somos fortes no cooperativismo. Temos é que abrir o caminho para o pequeno. Para os outros é apenas uma questão de apoio do governo nas condições de produção, no escoamento de safra. Mas o grande desafio, que procuramos resolver, são dois setores que nunca receberam atenção: o pequeno produtor e o trabalhador rural.
Folha: Alguns representantes do setor reclamam da falta de uma política agrícola consistente. Dizem que não há o que comemorar. O senhor concorda?
Lerner: O que a agricultura do Paraná quer é o financiamento certo na hora certa, é o calendário daquilo que é necessário à agricultura para que eles possam produzir. Esse tipo de resposta deve vir mais do governo federal, da política nacional em torno da agricultura. E que gostaríamos que fosse cada vez mais sensível às necessidades do agricultor.
Folha: O senhor vê avanços?
Lerner: Acho que sim. O programa de agricultura familiar é muito bom, o Pronaf chegou em boa hora. Mas acho que sempre a tendência é querer mais. Tenho certeza que, com atenção ao trabalhador rural e ao pequeno agricultor e atenção às necessidades básicas da agricultura - o acesso ao recurso sem burocracia, o financiamento na hora certa, boas estradas -, vamos avançar sempre. Agora precisamos avançar também na alta tecnologia para a agricultura.
Folha: Com isso, a idéia, então, não é mudar o perfil do Paraná. Mas apoiar sua vocação agrícola?
Lerner: A base é a agricultura. Mas todo o Estado que quer criar renda tem que se diversificar. Veja o que acontecia antes na história do Paraná. O Estado se endividava para produzir energia e éramos forçados a vendê-la a preços mais baratos que o custo. Isso para que essa energia gerasse, só em São Paulo, riquezas da ordem de US$ 8 bilhões ao ano. Imagine o número de empregos gerados. Diga-me por que um milhão de paranaenses deixaram o Estado há seis ou sete anos. É que aqui não havia oportunidades. Hoje essa oportunidade acontece. Hoje essa energia começa a ser transformada aqui e gera empregos aqui. Acabou a fase de nossos produtos ficarem passeando e gerando empregos lá fora. Agora ampliamos o perfil positivo.
Folha: Essa política pode reverter o quadro revelado pelos dois últimos censos agrícolas feitos pelo IBGE, que apontam que o Paraná tinha, em 1985, 460 mil agricultores. Em 1996, o número havia caído para 350 mil. Essa migração pode ser interrompida?
Lerner: Esses dados correspondem a um período anterior a este governo. Você vai ver a mudança nos dados que vão refletir a grande mudança positiva que acontece no Paraná. Vamos falar apenas no café. O Paraná havia deixado de ser um grande produtor neste setor. Hoje, vemos que multiplicou por 15 a produção. Em pouco tempo será o segundo grande produtor. E com qualidade. Vamos começar a viver outras fases importantes. E não é só no café, mas em outras importantes culturas, como a do algodão.

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