Estado define limites na Era Vargas
Estado define limites na Era Vargas
Domingos FoggiattoDesfile operário em Curitiba, em 1939. Abaixo Getúlio Vargas visita Ponta Grossa em 1930Em 1932, Manuel Ribas é nomeado interventor (o nome do cargo de governador durante o período Getúlio Vargas) do Paraná. Assume em julho e fica até o final do Governo Vargas, superando as mudanças que ocorreram ao longo dos anos. Quando houve eleições no país, com a redemocratização de 34, com Constituição nova, Manuel Ribas foi eleito presidente do Estado. Depois, em 1937, com o golpe do Estado Novo, ele foi confirmado no governo, como interventor. E só saiu com a queda de Vargas, em 1945.
Foi um período difícil e de profunda mudança para a vida paranaense. Fatos internos e externos contribuiram para isto.
Ao assumir, Manuel Ribas encontrou ainda uma complicada situação financeira. Sete anos depois, em 1939, em relatório enviado ao presidente Getúlio Vargas, o interventor anuncia um substancial aumento das receitas estaduais que, assinala, não é uma decorrência da criação ou majoração de impostos mas sim do expressivo índice de crescimento econômico do Estado, resultante das numerosas obras realizadas, notadamente no que diz respeito ao plano rodoviário, pondo em contato fácil e rápido os centros de produção com os mercados de consumo.
De fato, já em 1934, o governo de Manuel Ribas concluiu a restauração das poucas centenas de quilômetros de estradas existentes no Estado e iniciava seu plano rodoviário, objetivando fundamentalmente a ligação de Curitiba com os portos do mar e com os principais centros produtores. A estrada da Graciosa foi reconstruída e se partiu para a Estrada do Cerne, uma ligação com o norte do Paraná.
Manuel Ribas se preocupou também com a educação, destacando no citado relatório: Mereceu nossa atenção, desde logo, a edificação escolar que, praticamente, não existia no Estado, excluindo-se alguns prédios de real valor em Curitiba, Ponta Grossa e Paranaguá, nada mais havia em todo o vasto território. E o interventor se lançou à tarefa de construir escolas.
Manuel Ribas também enfrentou o problema de terras. O Brasil descobrira o Paraná. Enquanto na região de Londrina a Companhia Melhoramentos Norte do Paraná realizava um trabalho digno de registro, marcado de modo indelével na História deste século, não ocorria o mesmo em outras regiões. O governo estadual dedicou-se com muita força à tarefa, visando regularizar as concessões de terra, fazendo retornar ao patrimônio do Estado milhares de hectares de terra. A organização do cadastro territorial revela ao governo, uma situação de notável gravidade, no patrimônio do Estado, principalmente pela fraude e pela ação dos grileiros.
Os trabalhos de colonização são retomados diretamente pelo governo que, como foi assinalado, só não rescindiu os contratos com a Companhia de Terras Norte do Paraná que passou, depois a ser a Companhia Melhoramentos Norte do Paraná, e com a colonizadora de Francisco Gutierrez Beltrão.
Território do IguaçuEnquanto o Governo do Estado se preocupava em regularizar situações, ao mesmo tempo o Paraná recebia fluxos imensos de migrantes e de imigrantes, registrando-se a grande explosão que criou a realidade atual, o governo central resolvia diminuir um pouco o território paranaense.
Em 1943, em plena segunda guerra mundial (1939-1945), o presidente Getúlio Vargas resolveu criar novos territórios federais, nas regiões de fronteira, alegando a necessidade de fortalece-las e de acelerar o progresso nos territórios limítrofes, para maior segurança nacional. Com base nisto, entre todos os outros, foi criado o Território do Iguaçu, que surgiu pela subtração de terras aos Estados do Paraná e Santa Catarina. O Paraná perdeu um quarto de seu território, 47 mil quilômetros quadrados. O Território abrangia as terras situadas a oeste do Estado, ao sul do Rio Ivai e a oeste de Santa Catarina. Só com a redemocratização do Brasil e a convocação da Assembléia Nacional Constuituinte (1945) é que, mediante esforços dos representantes paranaenses naquele colegiado, foi extinto o Território do Iguaçu, retornando os 47 mil quilômetros quadrados de terra ao Paraná.





