Essência japonesa
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quarta-feira, 17 de junho de 2015
Michelle Aligleri<br>Reportagem Local 
A cultura japonesa atrai atenção de pessoas de todas as nacionalidades e uma das portas de entrada para o "mundo japonês" são as revistas em quadrinhos. Chamados de Mangás, os desenhos têm características específicas, como olhos grandes e expressivos, traços simples e marcantes. Katia Horita Kudoiama, proprietária de uma loja especializada em quadrinhos japoneses, afirma que o público que mais se interessa pela temática são crianças e jovens de 8 a 25 anos. "Nos chama atenção porque a maioria dos clientes que frequenta a loja não é descendente de japoneses", aponta.
Um elemento que se destaca é o fato dos mangás retratarem em suas histórias elementos do cotidiano da cultura japonesa. Portanto com a leitura dos quadrinhos, o público tem acesso a um universo cultural muito amplo que aborda diversas temáticas como esportes, aventura, romance, comédia, atividades escolares e outros. "Hoje o Mangá é bem difundido em vários países e a televisão ajuda muito trazendo vários desenhos com os mesmos traços. Apesar da disseminação eu acredito que esse ainda é um ícone da cultura japonesa, especialmente porque alguns títulos trazem muito conteúdo histórico japonês", observa Katia.
TAIKÔ
O grupo Ishindaiko reúne jovens de 10 a 25 anos interessados em aprender a arte do Taikô. Os tambores japoneses que têm mais de dois mil anos e um som forte ensinam mais do que simplesmente o domínio do instrumento. Para tocar em grupo é preciso ter disciplina, respeito ao próximo, solidariedade, união, humildade e força física, mental e espiritual, além disso, quem toca os tambores encontra no instrumento uma forma de expressar sentimentos. Não bastasse todas essas características, os organizadores do grupo ainda transmitem aos praticantes diversos elementos da cultura japonesa. "O sentido maior do grupo é passar de geração para geração a arte milenar do tambor japonês, mas os valores agregados são um exercício de cidadania", afirma o colaborador do Ishindaiko, Janio Massamitsu Yamaguto.
Segundo ele, a maioria dos participantes do grupo não é descendente de japonês. "Fico admirado com isso, no meu entender, o japonês deve se sentir privilegiado, ele foi acolhido pelos brasileiros de forma integral. No taikô, aproveitamos essa abertura e usamos um pouco das referências brasileiras como o gingado, a iniciativa e a espontaneidade, típicas do povo brasileiro. Essa mistura pode ser observada nas apresentações do grupo, tanto nas coreografias quanto nos traços coloridos dos uniformes", destaca Janio. Para ele, a relação intercultural é positiva e rica. "Os japoneses assimilaram a cultura latina sem perder as raízes e eu acho que agora está acontecendo o contrário, os latinos estão buscando conhecer e saber mais sobre a cultura japonesa", complementa.
DANÇAS TÍPICAS
Enquanto o Taikô e os Mangás atraem o público mais jovem, as danças japonesas encantam pessoas de todas as idades. Há diferentes ritmos para todos os gostos e o destaque está para as danças tradicionais que trazem músicas folclóricas e geralmente reúnem senhoras descendentes de japoneses. A presidente do grupo Sansey, Mity Shiroma considera natural a integração de culturas. "Os japoneses estão no Brasil há muitos anos, é normal que haja miscigenação de raças e interesses dos dois lados, enquanto os descendentes incorporam a cultura ocidental, os não descendentes também passaram a conhecer mais elementos culturais do japão, com destaque para a gastronomia", afirma.
Enquanto a Matsuri Dance tem uma forte participação de não descendentes, o Bon Odori reúne, em sua maioria, pessoas de família japonesa. "As duas coisas são muito positivas. Eu acredito que se divulgarmos a cultura japonesa apenas dentro da comunidade, um dia ela morre, mas compartilhando com os outros ela se perpetua", considera Mity.



