Longe do campo e do litoral, onde são praticados esportes como o montanhismo e o surf, o espaço urbano também tem opções a oferecer quando trata-se dos esportes tidos como radicais. Em Curitiba, profissionais e amadores se encontram em espaços públicos e privados espalhados pela cidade, onde a prática de esportes como o skate e a escalada indoor segue se consolidando.
  Lúcio Rodrigo Staskoviak tem 29 anos e desde os 12 anda de skate na Praça do Gaúcho, no bairro São Francisco. ‘‘Já passei por várias gerações. Quando era mais novo, morava em Santa Felicidade e vinha a pé pra cᒒ, conta. Staskoviak também surfa e diz que ‘‘para não ficar parado’’ quando está em Curitiba, vai para pista de skate. ‘‘Serve como terapia. É uma forma de conciliar a vida do dia-a-dia, de trabalho e estudo, com o esporte’’, explica. Skatista há 17 anos, Celso Gabriel Martins, 22, afirma que a cidade favorece a prática do esporte. ‘‘Tem uma boa estrutura para o skate, nas ruas, pistas e praças’’, afirma. Formado em Educação Física, Martins estudou a história do skate para seu trabalho de conclusão de curso e diz que o esporte nasceu de uma adaptação do surf para a calçada, entre as décadas de 70 e 80, na Califórnia.
  Outro esporte que veio do ambiente natural para o contexto urbano foi a escalada indoor, o que acabou popularizando a atividade. ‘‘Virou um ponto de divulgação do esporte. Quanto maior for o apoio para tudo que é lado mais fácil vai ser o acesso para todo mundo’’, avalia o instrutor de escalada Bruno Klein. Praticante do esporte há 10 anos e professor de Educação Física, Klein conta que a escalada indoor surgiu da adaptação do montanhismo para espaços fechados por atletas europeus que não queriam deixar de treinar quando não podiam estar na montanha, nos meses de inverno. A atividade acabou atraindo quem não tem por objetivo a prática do esporte na natureza. ‘‘Mantém o preparo físico para quem não quer depender só do final de semana para escalar, e é opção de atividade física ou lazer. Vai desde o cara que não sabe nada até o que sabe tudo, dos 6 anos aos 80’’, afirma o instrutor e proprietário do ginásio de escalada Campo Base, Flávio Cantéli, o Juca.
  Pelo ginásio de Juca, na Travessa da Lapa, no Centro, passam entre 90 e 120 pessoas por dia. Nos finais de semana, em um só dia, até 60 pessoas procuram o local para aulas experimentais. ‘‘Como as pessoas já encaram como uma atividade de lazer é como ir andar de patins, não necessariamente vai virar um superescalador’’, justifica. Segundo Cantéli, se o esporte fosse praticado somente por profissionais, teria poucos adeptos. Por isso, os espaços urbanos colaboram para a disseminação da atividade. ‘‘Ajuda a ter uma visão maior do que pode ser um esporte radical, que é todo aquele que trabalha os seus limites ao extremo’’, explica Bruno Klein. Foi o que aconteceu com Leonardo Amaral. O estudante de 13 anos ainda não escalou uma rocha de verdade e ainda quer chegar lá, mas por enquanto a escalada indoor é uma opção mais segura e mais próxima de casa. ‘‘No campo deve ser melhor, mas aqui é seguro e tem mais gente’’, observa.

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