Espertinhos alugam bebês para votar rápido
PUBLICAÇÃO
domingo, 04 de outubro de 1998
Cláudia Lopes 
A lei de Gerson - aquela de levar vantagem em tudo - foi usada ontem por vários eleitores que furaram as filas usando bebês emprestados. Na Escola Estadual Albino Feijó, na Vila Industrial, zona sul de Londrina, Maurício Dias Vieira conseguiu votar rapidamente, carregando uma criança de colo. Sem saber sequer o nome da mãe que havia lhe cedido o filho e sem importar-se com o choro da criança, ele votou em 5 minutos.
A mãe do bebê não quis revelar seu nome à Folha. Apesar de afirmar à reportagem que só havia cedido o filho uma única vez, na hora do empréstimo ela falou em alto e bom som que já era a quinta vez que a criança votaria. Os eleitores que estavam na fila disseram já ter visto o bebê com diversas pessoas. Qual é o problema? O que eu fiz é crime?, questionou a mãe.
A presidente da seção, Elizabete Martinez, disse ser impossível saber se as crianças são realmente filhas dos eleitores. Mesmo que fosse obrigatória a apresentação de documentos dos bebês, não haveria tempo para conferir.
Maria José Santana contou que muitas pessoas se aproximaram dela para pedir sua filha de 1,3 ano emprestada. Nunca cederia minha filha para um desconhecido, garantiu. Reginaldo Lima Queiroz, que ficou 1h40 na fila, disse ter conseguido impedir uma mulher de votar usando o filho dos outros. Eu vi quando ela foi atrás de uma criança para furar a fila. Quando voltou com um bebê, chamei o fiscal e ele não deixou que ela passasse na frente.
Na Escola Albino Feijó houve atraso de cerca duas horas na votação. Algumas pessoas esperaram mais de quatro horas na fila. Às 17 horas, pelo menos 200 pessoas se aglomeravam nas 11 seções eleitorais. Irene Borges, que ficou duas horas na fila, reclamou da falta de organização.


