Passados cinco anos de abandono pelo poder público, o prédio do antigo Paço Municipal, na Praça Generoso Marques (centro), terá o tratamento que merece. O contrato para a restauração deve ser assinado em uma semana e a partir de então o trabalho de recuperação vai durar um ano. O edifício é o único da Capital tombado pelo Instituto do Patrimônico Histórico e Artístico Nacional (Iphan), é o único tombado pelo Município de Curitiba e é tombado também pelo Estado do Paraná.
Desde 2002, quando o acervo do Museu Paranaense foi transferido para o Palácio São Francisco, o Paço da Liberdade (nome oficial) ficou fechado sem qualquer tipo de manutenção. O processo de deterioração que se seguiu resultou em infiltrações e desabamentos internos que transformaram o local em um cenário desolador. ''Tudo vai ser difícil de restaurar. Só vai realmente se saber a extensão dos danos na hora que começar a abrir para a restauração integral'', avalia o arquiteto do Serviço Social do Comércio do Paraná (Sesc-PR), Marcelo de Paula Soares, um dos responsáveis pela obra junto com o engenheiro Gerson Konell.
A restauração integra o projeto Marco Zero, de recuperação do centro de Curitiba, e foi viabilizada por um convênio de permissão de uso feito em julho de 2006 entre o executivo municipal e a Federação do Comércio do Estado do Paraná (Fecomercio). O Sesc, que integra a Fecomercio, será o responsável pela execução do projeto em parceria com a empresa Emadel Engenharia e Obras Ltda., de Curitiba, selecionada esta semana por meio de licitação. O nome da empresa vencedora do processo licitatório foi definido anteontem. Ainda deve ser respeitado um prazo para recurso, mas o assessor jurídico do Sesc, Carlos Sotti, acredita que o contrato com a empresa escolhida deverá ser assinado em uma semana.
A abertura dos envelopes contendo os preços propostos pelas empresas candidatas foi realizada na última quinta-feira. O valor máximo previsto para o restauro era de R$ 5,05 milhões, e a licitação inclui ainda implantação de elevador e ar-condicionado. O montante proposto por todas as seis empresas participantes da licitação não passou de R$ 4,6 milhões.
A obra passará por duas etapas: o restauro da edificação seguindo as mesmas técnicas da época em que o prédio foi construído, e a reciclagem, que consiste em dar um novo uso para cada compartimento do edifício. O projeto de restauro é do arquiteto Cyro Corrêa Lyra e o de reciclagem é do arquiteto Abraão Anis Assad, mesmos autores do projeto da primeira restauração do Paço Municipal, realizada entre 1972 e 1973. O prédio foi tombado pelo Iphan em 1984. A coordenação do trabalho ficará a cargo do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc). O Sesc também será responsável pela aquisição de todo o mobiliário.

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