Um outro jardim botânico informal de Rolândia fica literalmente colado à cidade. A menos de 400 metros da área urbana, tem três alqueires – um deles, de mata nativa – que formam a Chácara Marabú, com a qual Adrian Saegesser e a mãe dele, Ursula, tocam a vida. A propriedade é da família desde 1937, quando os pais de Ursula emigraram da Suíça em busca de novas oportunidades, deixando para trás uma Europa assolada pelo desemprego pré-Segunda Guerra Mundial.
Dois dos três alqueires foram reflorestados há alguns anos, com mudas cedidas pelo viveiro Flora Londrina dentro do projeto SOS Mata Atlântica. O reflorestamento recompôs a mata ciliar do trecho em que o Ribeirão Cafezal – que já foi o principal manancial de abastecimento de Londrina e ainda hoje serve água a boa parte da região metropolitana – passa pela propriedade.
Por toda a área, um grande número de frutíferas (manga, jabuticaba, caqui, jaracatiá, uvaia, framboesa, castanha portuguesa, goiaba, pitanga) cuja produção é utilizada na fabricação de geleia e chutney que levam a marca Marabú. Há espécies nativas de todo tipo. Quem visita o espaço se encanta com a figueira que, ao longo de presumíveis 400 anos, irradia raízes de 50 metros de comprimento.
Duas casas, datadas de 1937 e 1938, são hoje chalés com os quais a família explora o turismo rural, como integrante do projeto Rota do Café. Adrian e Ursula ainda vendem frutas frescas em feiras livres. A chácara também recebe intercambistas do mundo todo que, em troca do pouso e da comida, ajudam nas tarefas diárias. Pesquisadores e grupos de estudantes visitam a área sempre.
Tanta atividade, porém, é insuficiente para uma remuneração adequada, alega Adrian. A produção de guloseimas, assim como o turismo rural, não é tão rentável assim. Diante de dificuldades financeiras, a família resiste à tentação de vender a área. "Por lei, poderíamos derrubar até a nata nativa", afirma Adrian, que freqüentou cursos técnicos de agricultura e marcenaria. "Mas isto aqui é um banco genético que nunca foi mexido, com uma diversidade ainda não catalogada."
A forte especulação imobiliária não é a única ameaça à riqueza biológica da Chácara Marabú. A proximidade com a cidade traz outro transtorno: a violência. A chácara foi assaltada quatro vezes e, além disso, há o risco constante de incêndios. "Teve uma ocasião em que enfrentamos três focos simultâneos de fogo", conta Ursula.
Na busca pela preservação, Adrian diz que já tentou transformar a área em uma RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural). Sem sucesso. "Não conseguimos apoio oficial", diz ele, que resiste em deixar o espaço. "Morar aqui é outra qualidade de vida."

mockup