Especialistas defendem implantação do metrô
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quarta-feira, 25 de julho de 2007
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
A capital paranaense, tida como referência em soluções para o transporte coletivo, está atrasada em relação ao projeto do metrô, considerando que da concepção à implantação definitiva, o prazo pode ser de até uma década. Essa é a opinião de especialistas que reconhecem, no entanto, a importância da cidade adotar, o quanto antes, um novo modal de transporte.
''Curitiba é uma das poucas capitais, entre as maiores, que não têm metrô'', afirmou o mestre em engenharia e operação de transportes, Ricardo Bertin, lembrando que Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Fortaleza e Brasília já contam com sistemas metroviários. ''É certo que Curitiba acabou achando soluções de ampliação da capacidade do transporte coletivo com ônibus. Mas, isso chega em um limite e é preciso partir para outras soluções'', acrescentou.
Apesar de ter começado tarde, Bertin acredita que Curitiba deu importante passo à frente ao pensar, já na década de 70, em eixos de transporte que comportassem, mais tarde, um sistema de metrô. Ele lembrou que, em 1972, quando as canaletas por onde circulam os ônibus biarticulados foram projetadas, a idéia foi de deixar as estruturais prontas para atender uma demanda futura. ''Na mesma época, era implantado o metrô de São Paulo que exigiu a desapropriação de grandes faixas nos bairros do Braz e Tatuapé, o que causou impacto muito grande à população'', observou o especialista, que é professor do curso de Engenharia Civil, na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR).
Bertin questionou o projeto lançado na década de 80, que previa a utilização de veículo leve sobre trilhos. ''Eu, particularmente, sou contra esse modelo, pois não elimina cruzamentos, não desafoga o trânsito'', apontou. Se a proposta atual atende ou não as necessidades de Curitiba, só o projeto básico irá dizer, ponderou Bertin. A PUC, segundo ele, pretende envolver acadêmicos de áreas afins para um trabalho de pesquisa junto à população sobre a implantação do metrô.
O arquiteto e urbanista, Ricardo Amaral, também, defende que Curitiba precisa de novas alternativas de transporte de massa para desafogar o trânsito. ''Como morador de Curitiba há anos, percebo que o trânsito começa a ter sintomas de dificuldade na circulação diária. Curitiba, historicamente, sempre esteve à frente das demais cidades brasileiras, mas somente no transporte superficial. O metrô é necessário, tem que ser planejado, tem que ser feito'', avaliou.
Para Amaral, a Linha Verde - corredor de transporte, ligando Pinheirinho ao Atuba - já irá melhorar muito as condições de deslocamento entre as regiões sul e norte da cidade, mas concorda que o crescimento da cidade exige outros investimentos.
O urbanista endossa a opinião de Bertin, defendendo que o metrô seja subterrâneo e não de superfície, como sugerem outros especialistas da área. ''O metrô de superfície é maus barato, mas entendo que o que se pretende é melhorar a qualidade de vida na cidade, desafogando o tráfego e reduzindo ruídos, poluição e os riscos de acidentes nos cruzamentos'', considerou Amaral. Para ele, o custo da obra do metrô de superfície pode ser menor, mas por outro lado exige investimentos em grandes terminais urbanos. ''Como urbanista, defendo que a superfície deve ser deixada para o pedestre'', acrescentou.


