Predisposições genéticas e a capacidade individual de lidar com situações adversas devem ser consideradas. Porém, no tocante aos transtornos mentais na infância, a influência do ambiente também é fator que nunca deve ser desprezado. Quanto mais agressivo o meio for à criança mais ele pode desencadear comportamentos que não os esperados para a idade e que podem levar a transtornos mentais com o passar do tempo.
  Desde os primeiros meses, tanto quanto fraldas limpas e leite materno, toda criança precisa de relações afetivas estáveis. ‘‘Uma mãe dificilmente consegue dar para o filho aquilo que nunca teve’’, observa a psicóloga e coordenadora técnica do Caps-I, Letícia Juliana Donega Grenteski.
  A pedagoga e coordenadora administrativa, Clarissa Pires Rausch, complementa que, na tentativa de acertar, os erros acabam se sobressaindo. ‘‘A mãe abre mão da vida pessoal, do trabalho e se vê com a única missão que é ser mãe. Daí, não permite que o filho deixe de ser bebê e a consequência virá de alguma forma em algum momento. Muitas vezes é no lado emocional da criança.’’
  Clarissa reforça que há uma certa ‘‘impaciência social’’ que interfere na relação da criança com a família. ‘‘As pessoas preferem cuidar de um cachorrinho, que leva uma bronca e fica quieto, do que da criança que a solicita a todo momento, que exige a mobilização de outras habilidades que não o trocar fraldas e dar de mamar. Quando não há este tempo, terceiriza-se a educação. Ou então, quando o pouco tempo que se está com a criança também não é bom, sai comprando tudo que ela quer. Isso ocorre em todas as classes sociais.’’ Tanto é que boa parte das famílias que procuram o Caps vai em busca de medicamentos, por conta da maciça propaganda de drogas que prometem milagres.
  O Caps, por sua vez, rema na direção contrária. Busca humanizar o atendimento, trabalhando com todo o circulo social que rodeia a criança. Comportamento não compatível com a faixa etária, dificuldade de interação social, apatia, agressividade, irritabilidade, sexualidade exacerbada são alguns sinais de alerta.
  ‘‘Observamos sempre o convivío social, o sono e a alimentação. Os extremos podem apontar um potencial de risco. Tentamos montar este quebra-cabeça que é trabalhoso e não pode ser rápido, o que, infelizmente, não corresponde à expectativa de mais de 90% dos pais’’, afirma Clarissa. (L.A.)

mockup