Especialista pede 'prova científica'
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sábado, 13 de abril de 2002
Rosângela Vale 
Para a nutricionista Elaine Cristina de Melo, as afirmações da metafísica Evelyn Levy Torrence contrariam todos os conhecimentos cientifícos e, portanto, não têm fundamento. Ela explica que, para sobreviver, o organismo precisa de energia. E essa energia vem do alimento, que é o combustível do corpo. Se uma pessoa parar de comer, seu sistema digestivo pode até atrofiar foi assim, na evolução humana, com algumas partes do corpo, como o apêndice, que hoje não tem mais função, e com os dentes, que vêm diminuindo desde que o homem parou de caçar. Mas, para que as células sejam nutridas, a alimentação é imprescindível, diz.
Segundo a nutricionista, pessoas hospitalizadas não utilizam o aparelho digestivo, mas recebem o alimento via soro. O organismo precisa de proteínas, sais minerais, vitaminas, carboidratos e lipídios para manter a temperatura corporal, a circulação, a respiração e a oxigenação do cérebro. A energia solar não oferece esses nutrientes, esclarece. Elaine observa que a necessidade calórica é individual, mas, de forma geral, uma mulher com atividade física leve precisa de 1.800 a 2 mil calorias diárias para sobreviver; um homem, de 2 mil a 2.500 calorias.
De acordo com o médico endocrinologista Júpiter Villaz Silveira, quando um indivíduo pára de ingerir uma dieta balanceada, principalmente devido à carência de proteínas, o organismo passa a utilizar energia de outras fontes: primeiro queima as proteínas circulantes, os hormônios sexuais, acarretando perda da libido (um dos sintomas da anorexia nervosa). Depois, queima as proteínas dos músculos e, em seguida, os órgãos não essenciais à vida, sempre na tentativa de proteger fígado, coração e cérebro. Dependendo das reservas de cada um, as resistências começam a baixar e a pessoa fica suscetível às infecções oportunistas. Geralmente, ficam acamadas e sem vitalidade, ressalta Júpiter.
A fome deixa de ser um problema depois de 48 horas sem alimento, quando se forma uma grande quantidade de corpos cetônicos no sangue, originários da queima de gordura. Essa acidose metabólica diminui o apetite. É uma defesa do organismo, se prepararando para longos períodos de jejum, explica o endocrinologista, que é enfático. Do ponto de vista da medicina, é impossível suportar algumas semanas sem nenhum tipo de alimentação. A ingesta de água, segundo ele, pode dar uma sobrevida um pouco maior.
Para analisar com precisão as afirmações da metafísica, o endocrinologista reinvidica provas científicas. Ele sugere um monitoramento médico, durante 24 horas, feito por profissionais livres de qualquer suspeita. Para Júpiter, o maior problema dessa história é o risco de atrair adeptos, pois há muitas pessoas com tendências a seguir modismos esdrúxulos. Estamos ligados à animosidade pelo corpo físico e à angelitude pelo espírito. Não acho que o homem se espiritualiza negando uma função do seu corpo físico. Antes disso, precisamos tratar de nossos sentimentos, que ainda estão muito doentes. Acho que a elevação espiritual se dá pela moral e não pelo físico, argumenta.


