O frio chegou de vez. Como o clima gelado está entre as características mais marcantes de Curitiba, os habitantes da capital paranaense são especialistas em táticas para amenizar o incômodo das baixas temperaturas. Vale tudo: lareira, aquecedor de ambiente, lençol térmico, bolsa quente na cama.
  O casal José Ancelmo Culpi, de 71 anos, e Filomena Zeny Colodel Culpi, de 68, moradores de Santa Felicidade, se lembram de momentos nos quais o frio abusou em Curitiba, como a vez em que nevou na capital, em 1975, e um certo inverno que proporcionou geadas durante 22 dias seguidos na região. Comparando com essas ocasiões, o frio das últimas semanas parece moleza.
  ‘‘Temos aquecedor de ambiente, mas quase não usamos. Preferimos o fogão a lenha. Aquece a casa inteira’’, diz seu José. Dona Filomena aponta que o fogão a lenha é bastante ‘‘exigido’’ durante os dias frios. ‘‘Eu acordo cedo, lá pelas 4h30, 5 horas, e já ligo o fogão. Eu costumo aquecer os pés perto dele. Aproveitamos os dias frios para esquentar batata, pinhão e polenta’’, explica.
  A lenha é retirada do sítio da família, localizado em Campo Magro. Em torno do fogão, reúnem-se os habitantes da casa, dona Filomena, seu José, a segunda filha do casal, Denize Margarete Culpi Wotecoski, de 47 anos, o marido e o filho dela.
  A família comenta que o fogão a lenha é um artigo cada vez mais raro em Curitiba, mesmo em bairros mais tradicionais como Santa Felicidade. A maioria da população opta pelas facilidades da modernidade. ‘‘Muita gente até tem o fogão a lenha, mas nem usa. Coloca uma toalha em cima’’, afirma Denize. ‘‘A pessoa trabalhou o dia inteiro, chega em casa, não vai ter paciência para preparar o fogão a lenha’’, reconhece seu José.
  A naturoterapeuta Sofia Bona Mikosz, de 23 anos, utiliza desde os 10 anos de idade um recurso que está ficando popular: o lençol térmico. ‘‘Uso desde criança porque minha tia fabrica esse produto há muitos anos. Mas só utilizo quando fica frio demais e não consigo me esquentar de outro jeito. Nesta semana estou usando o lençol térmico pela primeira vez neste ano. São fios que esquentam dentro de um lençol, que fica preso no colchão, e a pessoa dorme em cima’’, explica Sofia.
  A naturoterapeuta se lembra de dias gelados na cidade – ‘‘acho que o inverno mais rigoroso que vi foi quando eu tinha 12 anos’’ – e acredita que os próximos meses serão dominados por frio europeu. ‘‘Morei fora de Curitiba por alguns anos. Acho que o inverno deste ano vai ser o mais rigoroso desde que voltei à cidade’, diz Sofia.
  O engenheiro civil Envar Salomão Júnior, de 49 anos, por vezes recorre à lareira de sua residência quando o frio chega a Curitiba. ‘‘Costumo usar mais no final de semana ou quando recebo algum convidado em casa. Eventualmente também uso um aquecedor. O problema da lareira é que ela esquenta só uma parte do ambiente e exige um certo trabalho. Acho que nossas residências não são feitas para o frio. O ideal seria que houvesse nas construções um sistema de calefação adequado’’, diz Salomão.
  Com um meio de ano muito frio se anunciando em Curitiba, quem comercializa artigos para driblar as baixas temperaturas esfrega as mãos. Não só de frio, mas também pela expectativa de boas vendas.
  Flávio Reis, assistente técnico e vendedor de uma loja de aquecedores localizada na região central de Curitiba, conta que em duas semanas de frio intenso vendeu mais de 100 aquecedores de ambiente. Nas semanas anteriores à baixa das temperaturas, a média era de 10 aparelhos do tipo vendidos por mês.
  ‘‘Vendemos mais aquecedores de ambiente transportáveis, com vaporizadores, que não deixam o ar ressecado. Estamos esperando o inverno. Com certeza absoluta as vendas serão melhores do que as dos últimos anos, quando o inverno comparativamente foi menos rigoroso’’, afirma Reis.

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