Espaço é única opção para alguns artistas
Além dos produtos, a feira do Largo da Ordem é espaço para diversos artistas mostrarem o talento e buscar oportunidades. Roberto Mota, 41 anos, é escritor, poeta, ator. ''Faço de tudo um pouco''. Atualmente, ele está escrevendo um livro com histórias da feira, além de vender balões em forma de escultura. Nas mãos de Roberto, eles são transformados em cães, gatos e outros formatos. E a venda é acompanhada de música, cantada por ele. ''Tem que ter alguma coisa para atrair o cliente, tem que correr atrás'', conta.
Músico da banda Vento Sur, o argentino Luis Gasparovic, 49, está há 20 anos no Brasil. E mostra seu talento na feira, todos os domingos, em frente à igreja do Largo, desde ''o tempo que era apenas um quarteirão, há 15 anos'', relembra. Tocando um repertório latino-americano, a banda aproveita as horas de show para vender CDs e fazer contatos. ''Às vezes aparece prefeito de alguma cidade pequena, ou produtor de algum evento e nos contrata para shows'', revela.
As dificuldades também existem. Quando chove, é preciso correr para guardar instrumentos e equipamentos. ''O duro é quando é temporal forte, daqueles que voam as barracas todas, tem gente que perde tudo. É uma cena bem triste'', relata.
Quando perguntado sobre uma música que definiria a feira, Gasparovic responde sem hesitar: Guantanameira. ''É uma música alegre, quente, hospitaleira. Reflete bem esse caleidoscópio cultural que é a feira. Dizem que o curitibano é fechado, que é frio. Mas aqui ele muda'', resume. (M.M.)





