Espaço é procurado para caminhar ou descansar as pernas
Vizinho do Passeio Público, Everton Scheffer, de 32 anos, diz que frequenta o parque menos do que deveria, mas acha bom ter um espaço para a prática de esporte na região central da cidade. Ele aproveita o intervalo do trabalho para cumprir ali a recomendação médica de caminhadas diárias. ''Pegar trânsito para voltar para casa depois não dá'', justifica. Para Scheffer, o Passeio precisa de mais atenção com a limpeza, mas ''está seguro pelo menos''. Ele observa também que a prostituição no local ainda desestimula alguns frequentadores.
Sentada sob a sombra das árvores do parque, Aparecida Rosa de Jesus Silva, de 75 anos, acha o local bom para ''descansar as pernas'', assim como os estudantes Maria Eduarda Klass e Carlos Andrade, ambos com 17 anos. ''Viemos achar uma sombra para passar o intervalo da aula'', conta Maria Eduarda. Para eles, o Passeio Público ainda precisa de mais cuidado. ''Está meio sujo, largado. E a fama não é muito boa'', observa Carlos. ''No finalzinho da tarde a gente não se arrisca'', completa Maria Eduarda.
Até 1982, o Passeio Público era o Zoológico de Curitiba. E antes disso também foi conhecido como Jardim Botânico. O mais antigo parque municipal da cidade, foi criado sobre o que era um terreno pantanoso, no caminho do Rio Belém, no final do século XIX. A época era de obras de saneamento da capital paranaense, que seguia o exemplo das cidades modernas de seu tempo como Paris e Rio de Janeiro. A área era considerada uma ameaça à saúde da população por facilitar a proliferação de doenças como a malária. Mais tarde com a canalização do Rio Belém, já na década de 70, o lago do Passeio Público foi concretado e passou a ser abastecido por água de poços artesianos.
Durante seus primeiros anos de vida, o Passeio Público era um dos símbolos da modernidade na capital paranaense. O portão da entrada principal é cópia fiel do que existiu no Cemitério de Cães de Paris. E a primeira demonstração pública da maravilha moderna da iluminação elétrica aconteceu dentro do parque. Em 1887, o local que era iluminado por lampiões a gasolina doados pelo comércio e a indústria locais viu a primeira lâmpada incandescente que brilhou na noite curitibana.
Hoje, em seus quase 70 mil metros quadrados cercados por grades, o Passeio Público abriga carvalhos e ciprestes centenários, paineiras e jacarandás mimosos, onde vivem sabiás, tico-ticos e canários-da-terra. Além das garças que fazem seus ninhos nas copas dessas árvores e dos pássaros em cativeiro, bem como pequenos macacos. O parque também tem serpentes e lagartos em exposição e um aquário. No local funciona, ainda, um restaurante e há pista para caminhada e ciclovia. (D.R.)





