Simone GirotoA merenda bem feita garante saúde à criança para o aprendizado Quando Fernando Henrique Cardoso lançou o programa ‘‘Acorda, Brasil! É hora da escola’’ em Campo Mourão, não foi por acaso que ele definiu o município para sua primeira visita ao Paraná como presidente da República. Campo Mourão foi escolhida porque vinha se destacando na educação. Menos de dois anos depois, a consagração no setor foi dada pelos cientistas políticos Bolívar Lamounier e Rubens Figueireido, que incluíram o município no livro ‘‘As cidades que dão certo’’. Motivo da participação da cidade: a educação.
Campo Mourão começou a ser referência no setor em 1993, quando salas de aulas foram improvisadas em antigas mercearias, em associações de classe e até em salões de igreja. Foi o que aconteceu, por exemplo, no templo da Igreja Batista, que passou a abrir uma turma de crianças da da pré-escola. As salas alternativas foram o primeiro recado dado pelo município no sentido de que a educação tinha prioridade. A ordem era não deixar ninguém fora da sala de aula, nem que o espaço não fosse, necessariamente, uma sala de aula propriamente dita. O trabalho foi realizado na gestão do prefeito Rubens Bueno e do seu secretário de Educação José Eugênio Maciel.
O uso das salas improvisadas fez com que a cidade aumentasse o número de alunos do pré-escolar em 54% em apenas dois anos. Desde então, a prefeitura já entregou cerca de 80 salas de aula, através da construção de novas escolas ou da ampliação de existentes. Não se ouviu falar mais em falta de vagas pela cidade. É que o aumento das vagas foi de 7 mil para 11 mil, o que representa 57%.
O Centro de Apoio Integral à Criança (Caic), por exemplo, Campo Mourão conseguiu mesmo depois da extinção do programa, o que garantiu mais 1.200 vagas. Este ano, um dos marcos é a inauguração da Escola Padrão, no bairro Lar Paraná. Entre outras coisas, ela tem salas de aula com banheiros. Não foi apenas por construir novos prédios escolares, no entanto, que Campo Mourão conquistou respeito no setor educacional. Houve, principalmente, melhoria na qualidade de ensino.
‘‘Bolo’’Segundo a Secretaria de Educação, Campo Mourão investe mais de US$ 400,00 em cada um dos seus cerca de 10 mil alunos matriculados, praticamente o dobro dos US$ 215,00 recomendados pela ONU. Mais: é quase quatro vezes acima da média nacional, que não passa de US$ 116,00. Um dos segredos está na ‘‘fatia do bolo’’ destinada a educação. Se a Constituição exige que 25% da arrecadação seja investido na educação, a prefeitura já chegou aos 33,78%.
O investimento nas escolas municipais também vai muito além das obras físicas. As mais de 30 escolas mantidas pelo município recebem regularmente novas remessas de materias didático-pedagógicos. Também foram comprados aparelhos de TV, vídeo e retroprojetores. Até as pequenas escolas da zona rural ganharam minibibliotecas. Tudo isso sem contar os constantes cursos de capacitação destinados aos professores, que ganharam este ano o Instituto Municipal de Apoio à Pesquisa Educacional (Imape). Ônibus também garantem acesso à escola para cerca de 1.400 alunos da zona rural.
MerendaO combate ao analfabetismo também tem dado destaque a Campo Mourão. Para começar, o número de vagas no ensino supletivo foi quadruplicado nos últimos anos. Ao mesmo tempo, adultos que tinham deixado de estudar ainda na infância foram motivados a voltar à escola através do exame de equivalência. Entre os servidores municipais, a prefeitura fez um levantamento dos analfabetos e ofereceu curso de alfabetização para todos. Para estudar, eles chegam a ser dispensados do serviço durante o meio expediente em que ficam na ‘‘escola’’.
A Secretaria de Educação também pegou firme na questão da merenda escolar. Campo Mourão foi uma das primeiras cidades do Estado a aderir à municipalização da merenda. Com os recursos repassados pelo MEC bem administrados, foi possível transformar a merenda num verdadeiro banquete, com cardápio diferenciado em cada dia da semana, e até direito a sobremesa. O resultado de todas essas ações pode ser visto no índice de reprovação, que caiu de 17%, em 1992, para 8%. É como se um Caic inteiro deixasse de reprovar.

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