César AugustoCélia: de funcionária a microempresáriaDepois de trabalhar dez anos numa grande indústria de confecção de Londrina, Célia Perini foi demitida por um problema na coluna, que dificultava seu rendimento. Recorreu à Justiça, e recebeu como indenização uma máquina reta industrial. Depois, juntou algumas economias e comprou mais duas máquinas - uma galoneira e uma overloque industriais - e pronto, abriu sua microempresa na própria casa, no Conjunto Ernani Moura Lima.
Hoje Célia confecciona moleton, casaco, camiseta e blusa. Trabalha por encomenda. Quando o serviço cresce muito, contrata serviço de terceiros. ‘‘É difícil viver de costura. Queria pegar trabalho como faccionista, mas até agora não consegui’’, diz. Célia conta com a ajuda da cunhada na venda de sua produção. Filiada à Associação de Desenvolvimento da Indústria Informal de Londrina (Adiil), Célia consegue colocar mercadorias também em São Paulo, já que emite nota fiscal em nome da Adiil. ‘‘Meu ganho líquido não é muito maior que dois salários mínimos por mês’’.
Também com esforço e no fundo do quintal de sua casa, na Vila Casoni, Ermínio Silva Machado montou sua fábrica de camisetas, cuecas e uniforme escolar há sete anos, quando se desfez de uma lojinha. Ele e a esposa fabricam de 800 a mil peças por mês. ‘‘Vendo minha produção em escolas, colégios e consigo novos clientes por indicação dos antigos. Graças a Deus, meu serviço é de boa qualidade e não tem me faltado trabalho’’, diz.
ProduçãoDifícil, segundo ele, é a mão-de-obra. Quando ele e a esposa não dão conta da produção, contratam serviços de terceiros. ‘‘Não tenho condições de contratar uma costureira fixa por causa dos encargos e não quero ter alguém trabalhando aqui de forma irregular’’, explica. Se tivesse uma costureira por perto - afirma - poderia acompanhar o serviço e exigir mais qualidade. ‘‘Às vezes, o produto de terceiro não fica com a qualidade desejada’’.
Há quase cinco anos, Eliane Aparecida Sicorski e o marido abriram uma confecção de uniforme industrial, no Jardim Aragarça. Na casa da sogra. Eles empregam três funcionários. Nesta época do ano, a venda de uniforme industrial fica parada, segundo Eliane. Mas quando o setor está aquecido, a produção da fábrica é de 1.500 peças por mês (cerca de 400 por semana).
Eliane conta que uma grande dificuldade que a fábrica enfrenta é a falta de acesso aos tecidos mais baratos. ‘‘A Santista, por exemplo, estipula cota mínima de três mil metros de tecido, o que é inacessível para os pequenos. Portanto já ficamos em desvantagem de preço com relação às grandes confecções’’, reclama. (C.P.)

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