O romance ''O Estado de Paranoia'', de Tiago de Santos Lima, apresenta um narrador cuja técnica é um deleite, jovem, veloz. Construído entre a tensão do que é fato mas pode que não seja, ora é quase jornalístico, noutras uma invencionice repleta de humor. Nem alegórico, nem realista, palpável, e isso não é pouco. Um tanto de iconoclastia, outro de paixão por aquilo que se olha até a decadência urbana voltar a maltratar a consciência do leitor. A cidade de Curitiba se resume a uma sigla, mas a humanidade das personagens, cuja identificação nos é imediata (você os conhece, você já esteve com eles, talvez você seja um deles), a amplia, faz de Curita um lugar no mapa. Ao acusar nossas características provincianas as desmente, pois um livro com tal qualidade não se faria por aqui se já não amargássemos as insuportáveis dores abdominais que uma grande metrópole amarga.


Luiz Felipe Leprevost
Autor de ''Inverno dentro dos tímpanos'', Kafka Edições

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