Matheus Cruz, de 10 anos, aluno da 4 série, aguardou ansioso pelo fim do semestre e agora só quer saber de brincadeiras e passeios de todo tipo. Mas, engana-se quem pensa que o garoto está curtindo essas atividades em lugares distantes e desconhecidos, levando os pais a perder o controle do orçamento doméstico. Mesmo de férias, ele pega diariamente o caminho da escola, onde se encontra com os colegas para as atividades da colônia de férias, iniciada esta semana e que será realizada até o próximo dia 18.
Para este período, a direção da escola programou para os alunos da Educação Infantil e do Ensino Fundamental idas a sessões de cinema, a um playground que garante abrigar a ''maior piscina de bolinhas da cidade'', gincanas e jogos que serão realizados na quadra de esportes da instituição. Mas, o que mobiliza mesmo a atenção dos pequenos é o passeio até a chácara mantida pelo colégio, em Araucária, na Região Metropolitana (RMC).
''Mesmo sendo na escola, as atividades que fazemos são bem diferentes. É muito bom poder brincar com os bichos e jogar bola. Se eu pudesse, ficaria aqui a semana inteira'', afirma Matheus, atento ao ''balé'' do avestruz que havia acabado de ajudar a alimentar. ''O desafio na mata é a minha atividade preferida. Vir pra cá também é legal para encontrar os amigos'', diz Natália Bosi, de 10 anos, que participa da colônia de férias da escola pela terceira vez.
A professora Milene Weirich, da 2 série, ainda se surpreende com a reação dos alunos. ''Aqui eles se soltam mesmo, acham o máximo fazer coisas simples, como brincar na água ou recolher pinhão no chão. Outro dia, um deles me disse que só tinha visto no supermercado!''
O reforço dos laços de amizade, a possibilidade de conhecer colegas de outras turmas, o contato com a natureza e a vivência de situações diferentes daquelas a que estão acostumadas em casa são os principais benefícios proporcionados pelas colônias de férias organizadas pelas escolas, segundo o professor Gilson Laranjeira.
''Hoje, com os pais trabalhando muitas horas e morando em locais com pouco espaço para brincar, as crianças acabam sofrendo com depressão e estresse. Por isso, uma das funções da escola, atualmente, é também proporcionar espaços adequados para brincadeiras'', avalia ele, que sonha implementar por aqui o estilo de colônia de férias aplicado na Itália, onde trabalhou por um ano. ''Na Europa e nos EUA é comum as crianças e jovens ficarem uma semana e até um mês longe de casa no período de férias.''
''Organizamos a colônia de férias sempre levando em conta as sugestões apresentadas pelos alunos, mas tentamos oferecer atividades interessantes que não sejam muito caras'', diz o vice-diretor do colégio, João Antônio Viesser. O custo diário para cada aluno participar das atividades é de R$ 10, incluindo ingressos e transporte.
Nestas duas semanas da colônia de férias, as crianças reforçam os laços com os colegas e professores e têm a oportunidade de conhecer alunos de outras turmas. Essa convivência, segundo os professores, faz com que os alunos retornem às aulas muito mais motivados.
''Acho bacana passar esses dias na colônia porque em casa eu não teria o que fazer. Aqui é bem melhor do que ficar sentada no sofá, só comendo e vendo tevê'', comenta Camila Moresco, de 8 anos, aluna da 3 série, chamando a atenção para outro aspecto importante de uma colônia de férias realizada na escola, a preocupação com a saúde. Durante os piqueniques que realizam na colônia, nada de refigerantes ou salgadinhos gordurosos. Os alunos são incentivados a levar de casa lanches saudáveis, como sanduíches e sucos.

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