Trocar o computador e o videogame por outras brincadeiras que não requerem tecnologia, mas apenas disposição para correr, pular e se divertir. Essa é a proposta da colônia de férias promovida pela Escola Atuação, no bairro Santa Quitéria, em Curitiba: resgatar antigas brincadeiras, desconhecidas pela maioria das crianças ou deixadas de lado por causa das restrições impostas a quem mora em ''cidade grande''.
A coordenadora pedagógica da Escola Atuação, Silnéia Chiquetto, garante que as crianças se mostram muito receptivas às brincadeiras apresentadas a elas - como pular corda, lenço atrás, batata-quente, cabra-cega, amarelinha, passa anel - e até mudam de comportamento com o que aprendem brincando. ''As crianças de hoje são mais individualistas, brincam dentro de casa e, em geral, interagindo com uma máquina, que é o computador ou o videogame'', analisou Silnéia.
''Com essas brincadeiras em grupo, a gente percebe que eles ficam mais solidários, mais afetivos e desenvolvem auto-conhecimento de suas emoções'', complementou.
Para Silnéia, as brincadeiras de antigamente se transformam em aprendizado, em um ''regate de valores'', também, à medida em que incentivam o trabalho em equipe, o respeito ao colega.
A monitora da colônia de férias, Neila Alves da Silva, disse, também, perceber essa mudança de comportamento, principalmente, pela possibilidade que as crianças têm de extravasar a energia inerente a elas. ''Eles ficam mais cansados, mais calmos e conversam mais'', observou. Ela lembra que as crianças acabam transportando para o dia a dia, as regras aprendidas durante as brincadeiras e cobram dos colegas comportamento semelhante, como respeitar a sua vez de participar da brincadeira.
Problema em casa
é falta de espaço
Para Maria Luiza Maciel dos Santos, de 9 anos, as brincadeiras na escola não são novidade, pois ela já participou da colônia de férias, no ano retrasado, quando já havia experimentado a experiência. Em casa e na casa das primas, o que mais gosta é de brincar de boneca. Pular corda também é o passatempo predileto. O problema, em casa, é a falta de espaço. ''Meu avô tinha me emprestado uma corda, mas ele precisou pegar de volta. Meus pais não querem comprar porque acham que eu já tenho muitos brinquedos'', contou.
Larissa de Poli, também de 9 anos, diz que aprendeu as brincadeiras com amigos e também em outras colônias de férias que participou. Pular corda, também, é sua brincadeira favorita, mas, como mora em apartamento, essa e outras atividades que exigem espaço são inviáveis. Larissa contraria o perfil de boa parte das crianças da geração atual, que não abrem mão da tecnologia. ''Eu gosto de brincar no computador, mas prefiro essas brincadeiras'', revelou.
O pequeno Lucas Bassan, de 7 anos, não pensou duas vezes ao dizer que prefere os jogos de corrida de carros no videogame a suar a camisa nas brincadeiras do tempo da avó. Ele não conhecia a maioria das brincadeiras realizadas na colônia de férias, mas não demonstrou muito entusiasmo com a novidade. ''Achei legal'', simplificou.
A coordenadora pedagógica da escola reconhece que as crianças das grandes cidades não têm a mesma facilidade, de outros tempos, de poder brincar na rua, por exemplo. A dica da pedagoga é que os pais reservem um tempo para os filhos para as brincadeiras.

mockup