Calcula-se que existam cerca de 40 mil instrumentistas de violinos, violas, violoncelos e de cordas dedilhadas, no Brasil, destes, boa parte valoriza os instrumentos artesanais. Acrescentando o mercado internacional, esse número de consumidores potenciais aumenta significativamente. ''O que falta é aprofundar a qualificação profissional de forma séria, aprimorar a técnica de lutherie (luteria) como acontece na Itália, na França'', explica Leandro Mombach, se referindo ao projeto para a criação de uma Escola Nacional de Lutherie, junto a Fundação da Universidade Federal do Paraná (Funpar).
O luthier é o coordenador do projeto que prevê uma escola que ensine a fabricar e fazer reparos em instrumentos como violinos, violas, violoncelos, contrabaixos, violas da gamba, violões, violas caipiras, cavaquinhos e bandolins. ''Uma escola nesse nível não existe ainda no Brasil. Nos moldes que pensamos, ela seria o principal centro formador de profissionais plenos na América do Sul. A qualificação não se consegue apenas como aprendiz'', destaca ele, lembrando que a escola integraria o plano de revitalização do centro de Curitiba e que a proposta foi feita a Funpar, no mês passado.
''Outro objetivo dessa escola seria documentar as evoluções sofridas pelos instrumentos europeus, no país, como a viola caipira, o bandolim brasileiro. Não temos literatura própria, a maioria é estrangeira. A documentação e pesquisas também são importantes para resgate de instrumentos musicais que se perderam, no passado, como a banza (deu origem ao banjo), um instrumento africano, utilizado há mais de 300 anos'', informa Mombach, que recriou uma banza. ''É uma forma de saber como a música era feita antigamente. Veja que a música é a soma da genealidade do compositor e do instrumento.''
De acordo com o luthier, para ingressar na Escola Nacional de Lutherie o candidato precisará ter o Ensino Médio concluído. A idéia é que a escola tenha de 25 a 50 alunos matriculados e que os primeiros profissionais de arqueteria - construção de arcos para violinos, violas, violoncelos, contrabaixos e violas de gamba - e fabricação de violões clássicos concluam sua formação em dois anos. Já os profissionais de construção de violinos, violas e violoncelos finalizam os estudos em quatro anos e destes, espera-se que 10% possam atingir grau de excelência e sejam incorporados aos quadros da própria escola.
Enquanto não sai a escola, André Tartas, de 25 anos, e Gabriel Cabral, de 19, vão adquirindo conhecimento da profissão como aprendizes no ateliê de Mombach. ''Antes eu já trabalhava como autodidata, mas trabalhar como assistente de um profissional com formação, já me acrescentou técnica e uma base de informação que sozinho seria muito difícil aprender. Por enquanto, só fazemos pequenos ajustes e limpamos o instrumento'', conta Gabriel que junto com André, tem o sonho de fabricar, no futuro, violas da gamba, um instrumento quase ''extinto'' no Brasil. (F.G.)

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