Cláudia Lopes
De Londrina
O holandês Leo Schoof está reestruturando a fazenda onde cultiva ervas e plantas medicinais, situada na região de Rolândia, no Norte do Estado. Engenheiro agrônomo com especialização em agricultura biológica, Schoof abriu a empresa Herborisa em 1990 e nos últimos dois anos enfrentou problemas de mercado, com rescisões de contratos com algumas distribuidoras do País. ‘‘Produzir ervas no Brasil é tarefa difícil’’, reclama ele, que já está firmando acordos com novas distribuidoras. ‘‘O agricultor precisa ter um grande conhecimento de plantas e do mercado. Além disso, a legislação é muito exigente.’’
Mas o crescente consumo de plantas medicinais e aromáticas no País e no resto do mundo estimula o produtor. Tanto que, neste ano, ele espera começar a exportar para os Estados Unidos, Japão e alguns países da Europa. Na fazenda da empresa, são plantadas mais de 150 espécies diferentes de plantas medicinais, aromáticas e condimentares. A Herborisa cultiva, beneficia e embala as diversas ervas que estão sendo vendidas em todo o Brasil. No local há também uma farmácia de manipulação. Além de medicamentos fitoterápicos e homeopáticos, a empresa comercializa as ervas em caixinhas de 30 gramas, a granel ou com dez ‘‘sachets’’.
Na produção, não são usados agrotóxicos nem adubação química. ‘‘Temos de garantir produtos de qualidade aos clientes’’, afirma Schoof, que mudou-se para o Brasil em 1974. Segundo ele, as ervas medicinais têm lugar garantido no combate de doenças crônicas como bronquite ou gripe. ‘‘Mas não podem ser tomadas indiscriminadamente’’, alerta. ‘‘Para ingerir algumas delas é preciso o acompanhamento de um naturapeuta, que é um especilista em plantas.’’
Neste ano, a fazenda está iniciando a produção de babosa para sucos. Entre as plantas cultivadas estão a espinheira santa (para tratamento de problemas estomacais, como gastrite e úlcera), a tansagem (para inflamações da garganta), a calêndula (anti-inflamatório) e o mil folhas (analgésico e anti-espasmódico). A Herborisa tem parceria com alguns produtores da região. ‘‘Compramos camomila de um outro agricultor, que também não utiliza agrotóxicos e produtos químicos’’, diz Schoof.
Outro produtor de planta medicinal que pretende intensificar seus negócios com o Japão a partir deste ano é o ex-dekassegui Nelson Naeshiro, de Londrina. Desde o ano passado, ele está vendendo pequenas quantidades de cogumelo do sol para o país do sol nascente, onde morou durante quase cinco anos. ‘‘Os japoneses consomem muito cogumelo do sol, que combate problemas causados por diabetes e triglicerídeos’’, conta.
Naeshiro começou a plantar o produto há dois anos, em pequena escala. ‘‘Atualmente produzo de 10 a 20 quilos mensalmente, mas em um mês vou cultivar uma quantidade razoável de fungo para que eu possa colher entre 100 e 150 quilos por mês no próximo ano’’, diz. Ele afirma que a produção só é uma boa alternativa para quem tem contatos no Japão, já que no Brasil o cogumelo do sol ainda não é muito conhecido. Segundo Naeshiro, se o produtor utilizar mão-de-obra dos familiares, como no seu caso, consegue obter um lucro de até 40%.

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