Era algo novo e tínhamos que entender
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sábado, 28 de janeiro de 2017
Juliana Leite<br>Especial para a Folha 
Nicolas, de 5 anos, vai ter que refazer o nível 5. A mãe dele, Glaucia Cristina Correia e Silva, contou que sofreu para decidir o que fazer. "Não sabia se segurava ainda no nível 4. Até hoje não sei se foi a decisão certa deixar ir pro 5 no ano passado. Agora vamos ver como será", ponderou, informando que o pequeno está há três anos na mesma turminha da escola.
Na mesma situação, Nayanna Romero lembra que a intenção da mãe é sempre fazer o melhor para o filho. "O Francisco estava acompanhando totalmente o aprendizado. Eu conversei muito com ele e acho que ele tem maturidade. É uma criança extremamente interessada em estudos e muito apegado aos amigos da sala (que o acompanham desde 1 ano e meio). Sendo assim, optei por não retê-lo", disse a empresária.
Nayanna ainda não sabe como vai proceder com o casal de gemêos, Maria e José, de 10 meses. "Acredito que cada criança é de um jeito. Não sei como meus outros filhos serão. Acho que temos que avaliar cada criança de uma forma. E a forma que optei também não significa que será a correta", afirmou.
Já a empresária Juana Correia optou por deixar Gael, de 5 anos, no nível 5 da Educação Infantil. Ela fez uma longa busca para definir o futuro da vida escolar do filho. Foram pelo menos três reuniões na escola e conversas com familiares, amigos e psicólogos. "O Gael completou 5 anos em maio de 2016, então, fará 6 anos em breve, mas ainda assim optamos por respeitar o corte. Decidimos pesquisar por conta própria também e entendemos que a questão do corte não é nova e que, portanto, já é possível medir possíveis impactos que a alfabetização precoce pode trazer. Não sofremos muito no processo, precisávamos saber mais, era algo novo para nós e tínhamos que entender", colocou.
Juana percebeu que muitos pais ainda temem a mudança por achar que os pequenos vão demorar a ler e escrever. "Não é fácil pensar se seu filho está preparado ou não. Muitas vezes eles nos surpreendem com respostas maduras e um comportamento que sugere preparo e segurança. Porém, percebi que quando a criança brinca, a leitura acontece naturalmente, os números surgem na brincadeira, a investigação científica é despertada, sem compromisso ou obrigatoriedade de aprender." (J.G.)


