Equipamento pesava meia tonelada
Comprar, transportar e providenciar a manutenção do computador da Exactus não era tarefa fácil. Se hoje qualquer criança de 10 anos pode consertar, operar e carregar um laptop, em 1970 o computador da Exactus exigia a presença de um técnico específico para a manutenção e caminhões para o transporte. O equipamento e os periféricos pesavam, ao todo, mais de meia tonelada.
Mal abrigado na primeira sede da empresa, o computador foi levado para um novo prédio, na Rua Goiás, meses depois da chegada. ''Chamamos a polícia de trânsito para que o tráfego fosse interrompido'', conta Gameiro. Segundo o sócio da Exactus, foi preciso a ajuda de vários homens para que toda a parafernália fosse descarregada do caminhão para dentro do prédio.
A manutenção era realizada pelo técnico ''quase um mecânico'', como lembra Sawczuk Brás Miranda Borges, treinado pela própria IBM para a operação. ''Ele vinha nos atender com uma caixa de ferramentas e um carrinho cheio de pastas, com todas as informações sobre o sistema do computador'', diz Dematté.
O uso do computador era uma tarefa igualmente complicada. De acordo com Sawczuk, uma pessoa poderia operá-lo sozinha. ''Mas o treinamento para incorporar a informática nos processos de contabilidade das empresas eram muitos. Cada cliente tinha que passar por um treinamento, que ensinava como passar as informações de balanço para planilhas, que depois eram convertidas para cartões perfurados por digitadores aqui da Exactus. Esses cartões, equivalentes aos disquetes atuais, é que introduziam as informações no computador'', conta. Detalhe: os operadores tinham que trabalhar com proteção de ouvido. ''O barulho era muito grande'', lembra Gameiro.
Uma nova mudança de endereço favoreceu ainda mais a popularização do equipamento entre os londrinenses. Um novo prédio foi construído pela Exactus, na Avenida Santos Dumont, onde a empresa funciona até hoje. ''Lá, fizemos uma vitrine para que os pedestres pudessem ver a máquina. Flagrávamos curiosos todo o tempo'', conta Gameiro.
A compra de uma máquina usada, na opinião do então analista, não foi encarada como um problema para os sócios da empresa. ''A renovação dos equipamentos não era tão veloz como hoje. Além do mais, não tinhamos muitos computadore disponíveis no mercado'', afirma. (A.M.)





