Equipamento novo era o paraíso
Um ano depois da notícia que me deu Milanez, chegavam, em vários caminhões, aqueles pesados equipamentos. Vieram técnicos de fora para a montagem e para treinar o pessoal. Quando aquelas engrenagens começaram a girar, expelindo de seu ventre os jornais impressos, com estampa perfeita e fotografias muito nítidas, parecia que estávamos ingressando no paraíso...
A Folha de Londrina seria o terceiro jornal do Brasil a adotar essa tecnologia. Só muito depois a Folha de S. Paulo e o Estadão o adotaram.
O jornal não tinha dinheiro para esses luxos - que implicavam em mais de US$ 1 milhão, na época - mas Milanez acreditava e, com sua mente aberta e positivista, fazia os recursos surgirem. Daí para a computação foi um passo. (Anos depois Milanez instalaria tambem a mais moderna televisão do Paraná, a TV Tarobá, em Cascavelm e a mais moderna estação de rádio FM de Londrina, a Rádio Folha).
Mas foi aqui que vivi meus dias de glória e onde me foi possível experienciar a mais rica aventura profissional. Comandei a Redação deste jornal durante 27 anos e aprendi que só se realiza grandes obras com uma equipe competente e motivada, com tesão pelo que faz. Tínhamos essa equipe.
Sabe-se que quanto mais rico o jornal, menos dependente de verbas oficiais. Uma dependência dessas sem dúvida irá influir na diretriz editorial. Na Superintendência - que abarcava também o Departamento Comercial - a Folha tinha o comando firme de Walter Macarini, e no setor administrativo e financeiro o de Antonio Carlos Macarini, que davam o respaldo para que o jornal pudesse continuar independente.
Havia frequentes atritos entre Redação e Comercial, o que acontece em todos os jornais do mundo. Porque, muitas vezes, o Jornalismo - sem saber o que se passava com os corretores - contemplava pessoa ou empresa que haviam se recusado a anunciar, enquanto o que havia fechado um contrato era ignorado. Às vezes uma nota pouco lisonjeira contra alguém, contra um produto ou empresa, estragava um negócio.
Durante estes 50 anos de Folha de Londrina, milhares se revezaram nos mais diversos escalões, desde o funcionário mais graduado até o entregador ou vendedor de jornal. Esta empresa tem uma família numerosa. Quem já trabalhou aqui, nunca esquece.
Neste meio século, o jornal alavancou idéias, semeou informações, semeou otimismo, semeou riquezas, semeou crescimento econômico, social e cultural, redirecionou rumos e é muito responsável pelas dimensões da Londrina de hoje e de outras cidades, sobretudo do Norte do Paraná. Ouso afirmar que Londrina não seria a potência que é se não tivesse contado, desde a primeira hora, com um jornal como a Folha.
- WALMOR MACCARINI é jornalista em Londrina





