Equilíbrio motiva cautela nos candidatos
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domingo, 04 de outubro de 1998
Das agências 
Nenhum dos três candidatos a governador de Mato Grosso do Sul admitiu ontem, antes do início da apuração dos votos, estar tranquilo quanto à presença deles num eventual segundo turno das eleições no Estado. Em entrevistas concedidas pela manhã, ao votarem em diferentes seções em Campo Grande (MS), os candidatos Ricardo Bacha (PSDB), 49 anos, Pedro Pedrossian (PTB), 68, e Zeca do PT, 48, concordaram que a disputa é acirrada.
O deputado estadual Zeca do PT, o primeiro a votar, às 9h, manifestou preocupação com a possibilidade de fraude eleitoral e compra de votos no Estado, a exemplo da eleição passada, quando o PT perdeu a prefeitura para o PMDB por 411 votos em meio a denúncias do gênero. O engenheiro Pedro Pedrossian disse que também estava apreensivo quanto à possibilidade de fraude até que o presidente do TRE (Tribunal Regional Eleitoral), Rêmolo Letteriello, deu garantia pública pela TV, dez dias antes do pleito, de que a Justiça Eleitoral iria coibir com rigor possíveis irregularidades.
Ricardo Bacha, ex-secretário de Finanças do governador Wilson Martins (PMDB) e por ele apoiado, disse que a oposição pretende manchar o processo eleitoral, ao levantar suspeitas, segundo ele, vazias, sobre as eleições. Uma das denúncias comprovadas de uso da máquina em favor de Bacha culminou no afastamento do comandante da Polícia Militar, Francisco Libório. Um ônibus da PM foi flagrado transportando cabos eleitorais. Ontem, a Polícia Federal prendeu em flagrante duas pessoas comprando votos em favor de Bacha e do candidato a deputado estadual Jonatan Barbosa (PSDB).
O maior problema da eleição no Mato Grosso do Sul foi com relação ao contingente indígena do Estado. São mais de 50 mil índios e, desse total, cerca de 22 mil são eleitores. Poucos deles puderam votar por falta de condução. Algumas aldeias estão muito longe dos locais de votação. Um exemplo é a aldeia Bodoquena, onde estão quase cinco mil eleitores indígenas. Ela fica a 500 quilômetros de Porto Murtinho, um local mais próximo de votação.
Também os sem-terra acampados nas margens da rodovia do Estado, em 21 municípios, tiveram dificuldades para votar. São cerca de 40 mil pessoas, entre elas mais de 15 mil eleitores. Os líderes disseram que qualquer cortesia de transporte configuraria crime eleitoral e, dessa forma, preferiram não votar. Em Campo Grande são 672 mil eleitores e no Estado, 1.269.000.
As eleições foram as mais tranquilas já registradas até agora. Em Campo Grande, apenas duas pessoas foram detidas sob a acusação de estar comprando votos para o candidato Jonatan Barbosa, porém foram ouvidas e dispensadas.


