Curitiba - ''O pager foi atropelado pela tecnologia''. A afirmação é do diretor da STT, Renato Baggio, e reflete o cenário atual da telecomunicação no Brasil. O sistema de rádio-chamadas, que utiliza um aparelho para receber mensagens e uma central de envio, acabou sendo substituído pelo SMS (serviço de mensagens curtas, na sigla em inglês), via celular. Teve uma participação muito eficaz e foi um veículo de comunicação bastante utilizado entre as décadas de 1960 e 1990. Mas, caiu em desuso com o advento dos celulares.
O Brasil chegou a ter 200 empresas que atuavam na área, segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Hoje, apenas quatro ainda prestam este serviço no País e a agência não concede mais autorizações para esta atividade. O Paraná ficou ''órfão'' desta tecnologia no início de julho. A última empresa que atuava no Estado encerrou os contratos em função da redução do número de clientes.
A STT chegou a ter 15 mil clientes de pager digital entre 1994 e 1996. Neste mês, encerrou a atividade com 150 usuários em Curitiba e Região Metropolitana. Baggio disse que o perfil dos clientes não mudou muito ao longo dos anos. Os últimos a utilizarem o serviço eram clientes corporativos como bancos, motoboys, imprensa, hospitais, empresas de informática, profissionais autônomos, médicos e vendedores. São pessoas que precisam de um ''plano B'' que não seja celular.
''As pessoas físicas foram as primeiras a migrarem para o celular'', contou. Ele lembra que, na época que o pager foi substituído pelas mensagens SMS dos celulares, houve uma briga das operadoras de pager com a Anatel para que os aparelhos não pudessem mandar mensagens. ''Agregaram um serviço que era realizado por nós. Você mesmo passa a mensagem e não precisa ligar para ninguém'', disse.
O início
O pager começou com um equipamento maior que operava com rádio-frequência e recebia sinal de ondas de rádio. O aparelho emitia um som (''bip, bip, bip'') e alertava o portador do equipamento que tinha uma mensagem. O usuário do equipamento tinha que ligar para uma central para receber o recado que era anotado em papel por telefonistas.
Com a evolução da tecnologia, o pager ficou menor. Em 1991, apareceu o aparelho digital, mas era só numérico. O usuário recebia no visor do pager o número do telefone da pessoa que tinha entrado em contato. Em seguida, foi criado o pager alfanumérico, as telas aceitavam até 200 caracteres de números e letras.
A STT foi pioneira do pager no Paraná. A empresa começou como Incotel em 1968 quando era uma filial de uma empresa de São Paulo. Em 1976, passou a operar com o nome STT.
Hoje, a companhia atua com rádio comunicação e com a distribuição de equipamentos de rádio. Além disso, faz sistemas de transmissão de dados para wirelless (internet sem fio).
Na época do auge do pager, a empresa chegou a ter 60 funcionários, sendo 40 telefonistas. Hoje, são 12. A maioria dos atua como terceirizados. A STT tinha três torres de transmissão em Curitiba, uma no Alto da 15, uma na Avenida Marechal Deodoro e uma que ficava em uma igreja no bairro Campo Comprido. Eram três transmissores nos mesmos locais das torres. Os transmissores foram desligados no dia 22 de julho.
Gisele Rossa, que fazia call center das chamadas de pager da STT, hoje atua na companhia Human Mobile, empresa que envia SMS para o mercado corporativo. Este trabalho substituiu o serviço do pager. Ela acessa uma página web e envia as mensagens para os celulares.

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