EPIDEMIA DAS MOTOS - O pára-choque é você mesmo
PUBLICAÇÃO
sábado, 21 de junho de 2008
Marco Feltrin<br>Reportagem Local 
Um ato de imprudência quase custou a vida do comerciante Sidnei de Camargo Aguirra. Ele trafegava a 110 km/h em uma via de Curitiba e, ao fazer uma curva, derrapou em pedras e sujeiras na pista, atingindo em cheio um poste. Com o impacto, Sidnei teve fraturas expostas nos braços e pernas. A mais grave na região da tíbia, onde o osso foi triturado em cerca de cinco centímetros.
O comerciante ficou seis meses em cadeira de roda, passou por quatro cirurgias e usou aparelho especial para sustentar a perna e salvar os movimentos. Os gastos desde o acidente, ocorrido em novembro de 2005, já passaram de R$ 17 mil.
Com a reabilitação na fase final - voltou a andar sem o auxílio das muletas depois de muita fisioterapia - Aguirra não quer nem saber de subir em uma moto novamente. Não tenho a mínima vontade. Andar de moto é muito inseguro, não tem proteção nenhuma. O pára-choque é você mesmo.
Mas há quem volte a dirigir depois de um acidente. É o caso do enfermeiro Jones William Bezerra, que há dois meses se envolveu em uma colisão na BR-369, em frente ao Parque Ney Braga. O motorista me fechou, disse que nem me viu. Minha sorte foi que estava em baixa velocidade. Mesmo assim fraturei o braço esquerdo, conta.
Afastado do serviço por quatro meses, Bezerra segue fazendo fisioterapia, mas acredita que o movimento do braço não ficará como antes. Apesar do trauma, ele afirma que voltará a guiar assim que retornar ao trabalho. O motivo? Necessidade.
É um meio de locomoção perigoso, mas a gente usa por ser mais rápido e econômico. O trajeto que faço em menos de meia hora para ir trabalhar, de ônibus dá quase uma hora a mais, explica o enfermeiro, que em breve estará de volta às ruas se arriscando sobre duas
rodas.


