Enxugando gelo
Nos últimos dois meses foi complicado. A pressão está grande. Antes era fácil achar crack em qualquer lugar. Agora está tudo espalhado, comenta um usuário da droga (ver texto nesta página). De acordo com o secretário Fernando Francischini, a reforma da Tiradentes foi um pedido dele e do coronel Itamar dos Santos, secretário municipal de Defesa Social. Ali era o centro do tráfico. Melhoramos a iluminação e instalamos mais 22 câmeras no setor histórico.
A reforma da praça será entregue amanhã. Segundo dados da prefeitura, desde o início do monitoramento, em março, 57 pessoas foram detidas graças à implantação da tecnologia. As novas câmeras vieram a somar às outras 14 que já haviam sido instaladas.
Quando chegou, há quatro meses, Francischini tornou célebre a sua frase de que estaria cansado de enxugar gelo. Participei de todas as grandes operações e muito cedo alcancei altos postos na PF. Me faltavam desafios.
Acredita que aliar prevenção e repressão pode evitar a repetição do ritual de secar gelo, que ele atribui a idéia de que uma mega-operação da PF leve a prisão de um grande traficante apenas para outro surgir no lugar. Entre os traficantes, cita uma mudança de perfil. Antes, aquele que virava usuário acabava morto pelo traficante maior. Hoje, o traficante de ponta é dependente químico. Ele vende seis ou sete pedras e ganha duas. E vive como um usuário-zumbi.
Questionado se não estaria repetindo o ritual praticado por anos na PF, Francischini diz que o que lhe dá a segurança de seguir em frente é o resultado do início do trabalho com um dos projetos que trouxe na bagagem: o Bola Cheia. Ele promete que até o final do ano a proposta alcance as nove regionais da cidade. A idéia começou a entrar em prática no Colégio Expedicionário, no Novo Mundo. Às sextas-feiras e sábados, das 22 às 2 horas da manhã, horário de pico no tráfico, o colégio abre as portas e oferece uma série de atividades de lazer para jovens e adultos.
Eu fui com o motorista em um carro da prefeitura e passamos pelos seis pontos de venda de drogas da região à uma hora. Eles estavam vazios. Os vaporzinhos estavam todos no projeto. A idéia não é nova. Francischini traz o modelo que Rudolph Giuliani implantou em Nova York nos anos 90. É um projeto estudado. Dando ao jovem atividade à noite, evita que ele vá até a esquina ou para o boteco vender bebida. É dali que nasce o tráfico, diz. (R.U.)





