Entrou na profissão por acidente
O russo Miguel Polskikh é proprietário da Mecânica Brasil, uma das oficinas de mecânica, funilaria e pintura mais antigas da cidade. Há 53 anos funcionando no mesmo barracão na Rua Venezuela, Vila Brasil (área central de Londrina), o estabelecimento mantém a arquitetura original, dos primeiros anos da cidade. No início, só tinha o barracão da oficina e umas poucas casas nesta rua. O resto era só café, rememora Polskikh. O primeiro ramo de atividade foi a ferraria e marcenaria. Por muitos anos, ele trabalhou com o cunhado e dedicou-se ao conserto de rodas de carroça, que eram a base do transporte na cidade.
Serviço não faltava. Não tinha carro. Todo mundo andava de carroça na cidade, conta. Com o passar dos anos, o movimento da oficina caiu bastante. Depois de alguns anos morando em São Paulo, Miguel Polkiskh voltou a Londrina e por acidente, literalmente, encontrou um novo ramo profissional. Ao voltar da Usina Três Bocas para a cidade para o casamento de uma das irmãs, com o carro emprestado por um amigo, ele envolveu-se em um acidente na estrada. Apesar de não ter se machucado, os danos no veículo foram consideráveis. Eu não tinha dinheiro para pagar o conserto. Então decidi eu mesmo fazer. Depois não saí mais da profissão, conta o mecânico e funileiro.
Apesar de garantir que não troca Londrina por outra cidade, uma história de amor proibido levou o jovem Miguel a deixar a região por alguns anos, obrigado pela própria família. Fui deportado pelos meus pais, que não queriam que eu namorasse uma descendente de espanhóis. Preferiam que eu casasse com uma russa, relembra. A desculpa que meus pais deram é que eles não falavam português direito, acrescenta.
Ele voltou para Londrina somente após o casamento da pretendente, quando não havia mais riscos contra a vontade dos pais. Em outubro de 1955, casou-se com Maria, com quem teve quatro filhos. Miguel tem quatro irmãs, que também nasceram na Rússia, todas morando em diferentes cidades do Paraná. Ainda hoje passa os dias na oficina, onde supervisiona o trabalhos dos cinco funcionários. No ano passado, recebeu título de cidadão honorário de Londrina, localidade que escolheu para viver, criar os filhos e que, segundo ele, não pretende deixar nunca. (F.R.F.)





