Aos 47 anos, João Carlos de Oliveira (PMDB), ocupa pela primeira vez o cargo de prefeito de Apucarana. Nascido no distrito de Caixa de São Pedro, é formado em Ciências Contábeis.
Na política ingressou em 2000, elegendo-se vereador (2001-2004) para o primeiro de dois mandatos consecutivos. Foi líder do ex-prefeito Valter Pegorer (PMDB) na Câmara e, por duas vezes, assumiu a secretaria municipal de Fazenda. Em 2008 foi eleito para estar à frente da administração municipal com 35.551 votos.
Comemorando o bom momento econômico de Apucarana, porém enfrentando críticas quanto à manutenção da malha asfáltica e limpeza urbana, ele recebeu a FOLHA para a seguinte entrevista.
Apucarana passa por um período de crescimento. O que fazer para que isso não aconteça de forma desordenada?
Temos procurado fazer um crescimento harmônico: populacional-demográfico e, ao mesmo tempo, econômico, para que dê sustentação ao crescimento demográfico. Hoje, a cidade tem qualidade de vida e está atraindo muitos investidores. Duas redes de hotéis - Bristol e Bourbon - vão fazer investimentos em 2011; o Super Muffato também vai se instalar. As Lojas Americanas já se instalaram. A Unifrango vai implantar o canteiro de obras para o centro de distribuição. Na área da saúde estamos promovendo uma revitalização das unidades básicas, estamos construindo uma Unidade de Pronto Atendimento; além do Hospital do Coração, iniciativa do cardiologista Randas Batista, que será credenciado para atender pelo SUS.
O senhor teme um processo de favelização?
O nosso plano diretor define as áreas que podem ser residenciais e industriais, repeitando a questão ambiental. Nada pode ser feito em desacordo com o plano diretor. Visamos construir conjuntos habitacionais não tão grandes, para não criar bolsões, e com toda a estrutura, água, luz, esgoto. Conjuntos menores possibilitam que a unidade de saúde e a escola absorvam a demanda. Se você cria um conjunto de 468 casas, por exemplo, que tem um tamanho razoável, tem que firmar o compromisso já com a empreiteira de que sejam construídas escola e creche.
Qual é o déficit habitacional atual do município?
Nós estimamos em 4,5 mil casas.
Esse déficit deve ser resolvido até o fim do seu mandato?
Mesmo com o Minha Casa, Minha Vida nós não vamos zerar esse déficit, mas até o fim queremos atender pelo menos 60% em função de todos os projetos que já temos aprovados. Queremos finalizar três mil unidades até o fim de 2011.
Apucarana está muito próxima, geograficamente, de outros municípios. O senhor e seus colegas prefeitos estão debatendo algum projeto de ‘‘metropolização’’?
Nós pertencemos à Associação dos Municípios do Vale do Ivaí (Amuvi). Temos discutido sobre implementar políticas regionais. A partir de agora devemos começar a trabalhar o processo de potencializar a economia regional.
Muitos moradores dizem que a cidade está abandonada. Por que isso está acontecendo?
Na malha viária, isso ocorre devido à antiquidade. Com o tempo, ela vai saturando, além do excesso de chuva, que contribui para a deteriorização. Paralelamente, o que dificulta o nosso trabalho é a redução dos recursos públicos. Com o desenvolvimento, cria-se demandas públicas, porém, para mantê-las teríamos que aumentar a arrecadação. Com a limpeza pública é a mesma coisa, tudo isso passa por índice de pessoal. Ou seja, vamos assumindo alguns serviços que não são nossos, como a segurança, que não é nosso dever, mas para aumentar a qualidade de vida do cidadão fazemos o que é necessário, com a implantação da guarda municipal que poderia não ser custo do município.
São quantos homens na guarda municipal?
Trinta e oito.
E cargos comissionados na administração municipal?
Pela estrutura administrativa, em torno de 350, mas 280 estão ocupados.
Não são muitos cargos comissionados?
Mas são cargos que não são ocupados por pessoas de fora. A maioria desses cargos, mais de 50%, está ocupada por funcionários efetivos, de carreira. Não são cargos criados para cabide de emprego. Por exemplo, temos 38 escolas e 33 creches, são todos funcionários efetivos que ocupam cargos comissionados na direção da escola, na coordenação da creche.
Com a cidade fazendo aniversário, o que o senhor elege como principal desafio para sua administração?
Recuperar a malha viária. É a maior meta para 2011 e 2012.

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