‘‘O cenário deve ter transparência e transmitir sensualidade e feminilidade. Algo entre um útero e um iceberg’’. Esta era a orientação do diretor da peça ‘‘Eros’’ para a cenógrafa Simone Pontes. Com o pepino nas mãos, Simone acabou encontrando a solução embaixo da mesa na qual debruçara seus papéis e canetas. ‘‘Olhei para a garrafa plástica de refrigerante, daquelas descartáveis, e surgiu a idéia de montar todo o cenário com aquele material. Liguei para o diretor e, por coincidência, ele tinha pensado na mesma coisa’’, lembra ela. ‘‘No início tudo parecia uma loucura, mas fui desenvolvendo a idéia e ela mostrou-se bastante viável’’.
Foram usadas 10 mil garrafas de 2 litros, emprestadas do programa ‘‘Lixo Que Não É Lixo’’. Com elas, ergueram-se túneis e paredes - como a peça foi montada no hall de um shopping center, o Novo Batel, o cenário acabou sendo também o próprio teatro. A entrada era feita por um dos túneis. ‘‘Ficou muito bonito, com a iluminação valorizando a transparência do material. Outra vantagem era a leveza: o transporte e a montagem ficou muito fácil’’, conta a cenógrafa. ‘‘Pena que depois do fim da temporada tivemos que devolver as garrafas’’. (F.C.)

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