Personalidades também utilizam os serviços do Telegramática. Por isso, os atendentes mantêm o sigilo das informações. Alguns políticos ligam para tirar dúvidas de discursos inclusive com conteúdo que não pode ser divulgado antes. O produtor de um programa nacional de variedades também liga para ver se o texto que o apresentador irá falar está correto. Recentemente, o técnico de um time de futebol paranaense entrou em contato para solucionar algumas questões na sua carta de despedida do clube. Os escritos, que continham conteúdo crítico, foi mantido em segredo. ''Não contei nem para o meu filho que é torcedor daquele time. Ele queria me matar'', diverte-se Beatriz Castro Cruz, coordenadora do Telegramática.
Alguns têm vergonha de ligar para o serviço e falam bem baixo no telefone para que os colegas não escutem. Já outros abusam do Telegramática e não abrem mão de ligar para tirar qualquer tipo de dúvida.
O jornalista João Luiz Neves é um deles. Ele é carioca e vive em Curitiba há oito anos. Desde 2003 liga para o Telegramática. Tomou conhecimento do serviço através de indicação de amigos. Ele chega a ligar para o número aproximadamente 80 vezes por mês. ''Tem dias que não ligo. Mas às vezes solicito o serviço até seis vezes em apenas um dia. Quando sinto que pode haver dúvida, já procuro o atendimento'', revela o jornalista.
Neves chama a atenção pelo fato de que todos os atendentes do Telegramática são professores. Além de solucionar a dúvida eles também explicam o contexto do assunto abordado na ligação. Por isso, acredita que há um aprendizado quando o serviço é solicitado. ''É um trabalho cidadão e educacional. Ele eleva o nível de conhecimento da população''.
Muitas pessoas ligam para lá e querem ler o texto todo para que os atendentes corrijam. Mas o serviço foi criado para tirar dúvidas pontuais. No portal www.cidadedoconhecimento.com.br os professores do Telegramática também respondem as dúvidas e o internauta pode enviar até 250 caracteres para correção.
Para trabalhar no Telegramática, o profissional deve possuir familiaridade com o dicionário. Quando entra, o professor fica em observação durante dois anos e deve consultar os livros especializados mesmo se tem certeza da resposta. ''A gente aprende todo dia pois a língua sempre sofre mudanças'', diz Beatriz.
Fortaleza foi a primeira cidade do País a possuir serviço de Telegramática igual ao de Curitiba. Os alunos da Universidade Estadual de Londrina (UEL) também possuem projeto semelhante. (D.C.)

SERVIÇO
O número do Telegramática é 3218-2425.

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