Rodeado pelos municípios da Região Metropolitana, há bairros de Curitiba que não têm mais espaço físico para crescer - nem para cima. Outros, no entanto, invandem as últimas áreas verdes fora dos parques para comportar mais e mais gente.
Os bairros que crescem estão, principalmente, situados ao sul de Curitiba. Exceto Cascatinha e Taboão, que lideram a lista de crescimento, a região sul do município é a que mais cresceu durante os anos de 1991 e 2000. O ritmo de crescimento proporcional se manteve até o ano passado, quando a pesquisa foi concluída.
O Tatuquara, por exemplo, saltou de cerca de 36 mil habitantes em 2000 para mais de 47 mil em 2007. Foi o maior crescimento absoluto, com uma taxa média de 3,88 ao ano. Moradores acreditam que o crescimento se deve ao baixo valor dos terrenos somado à qualidade de vida, aumentada pelas áreas verdes que existem no local. Reclamam, porém, da carência de alguns serviços básicos: as linhas de ônibus são insuficentes e falta asfalto em algumas áreas.
É o caso da família da dona de casa Lígia da Silva Schoenemamm Souza, que se mudou para o Tatuquara há 13 anos. O lugar foi escolhido como uma saída para o aluguel. Apesar de ser longe dos bairro centrais, ter apenas duas linhas de ônibus e não possuir grandes supermercados e farmácias, Lígia define o Tatuquara como ''um bairro gostoso de se viver''. ''Tem bastante áreas verdes e é tranquilo'', diz.
Mesmo gostando do local, lembra que faltam áreas de lazer para os filhos e policiamento. A moradora Marina da Silva, parente de Lígia, concorda. ''A gente só vê a polícia aqui de ano em ano'', comenta. ''Quando chegamos aqui, não tinha nada. O bairro mudou muito e está crescendo cada vez mais. Não imaginava que iria crescer assim. No começo, era só mato e a gente andava numa trilha'', lembra Marina.
O bairro ao lado, o Campo do Santana, vem ganhando estrutura melhor. Com ruas asfaltadas e identificadas, as casas vão surgindo no meio do descampado, entre focos de verde. A área atrai novos moradores.
''Todo dia tem gente que começa a construir aqui'', diz Osnei Fornazader, que trabalha em uma pequena loja de materiais de construção e mora no bairro há um ano. ''Acho que as pessoas vem para cá por que é mais barato. Também procuram um lugar mais sossegado, sem problemas de violência'', acredita.
De certa forma, é isso mesmo. O presidente do Ippuc atribui o crescimento da região por dois motivos. Além de ser um dos poucos lugares com espaço, há uma procura por uma qualidade de vida melhor, mesmo que isso represente viver em locais mais afastados do centro.
''Esse bairros menores tem melhor qualidade de vida. Os terrenos são mais baratos. A pessoa pode comprar um terreno maior pelo mesmo valor de um em uma área mais central'', comenta.
As grandes áreas dos terrenos representam nestes bairros, porém, uma taxa de densidade demográfica baixa. Enquanto Centro, Água Verde e Vila Izabel têm média acima de 100 habitantes por hectare, o Campo do Santana fica abaixo de 20 habitantes por hectare. (T.A.)

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