Curitiba - Moacir Bruno de Oliveira, 50 anos, acabara de lavar as mãos, sujas em razão das horas na lida em uma das atividades mais comuns da região de Prudentópolis (64 km a leste de Guarapuava), a fabricação de carvão. Ao estender a mão, com braços recolhidos, tímidos, um cumprimento quase envergonhado. O rosto com traços fortes, olhos claros, é marcado pelo trabalho intenso no calor dos fornos, castigado pelo sol, e caracterizado pela simpatia de um largo sorriso de felicidade. Vizinho de dois fornos onde fabrica carvão, ele mora com sua mulher e mais nove filhos, em uma casa de madeira, construída com tábuas irregulares, onde o vento esfria o sono durante a noite.
Assim como ele, muitos moradores da região de Prudentópolis (município com quase 50 mil habitantes) trabalham na produção de carvão em fornos, as chamadas carvoarias, mas não há nenhum registro de números na Superintendência Regional do Trabalho ou em qualquer outro órgão do Estado sobre esses trabalhadores.
Seo Moacir, como muitos brasileiros, não consegue sustentar sua família apenas queimando madeira. Enquanto a madeira torra durante três dias, ele também planta feijão, corta cana, mói, faz garapa, melado e rapadura, além de descer a ladeira diariamente para deixar os filhos mais próximos do ponto do transporte escolar onde também busca suas crianças.
Para o pneumologista do Hospital Evangélico de Curitiba, Odair Martins, o trabalho na carvoaria pode gerar bronquite crônica. "Se as pessoas que trabalham nestes locais têm doenças respiratórias ou alergias podem agravar os problemas. Já aqueles que não têm podem passar a ter", explicou o médico. Segundo o Martins, o pó do carvão também pode causar invalidez respiratória, além de problemas nos olhos. O pneumologista alerta. É preciso usar óculos e máscaras com filtros.
No pouco tempo que sobra, o trabalhador corta madeira. Evangélico, Moacir trabalha de segunda a sábado. "Não é pecado trabalhar domingo, mas a gente não aguenta trabalhar todo dia", conta. Sem saber quanto ganha por mês, sua única certeza é que tem conseguido sustentar a família e ainda manter um veículo picape, ano 1976, com pneus novos, rádio, que utiliza para levar a criançada e transportar os 200 sacos de carvão por semana. "Vou vendendo e vou gastando. Não sei quanto dá por mês. Às vezes menos, às vezes mais", comentou.
Em 26 anos de casamento com dona Lúcia, Moacir largou a lavoura de fumo, em uma localidade próximo a Vila Brasília, onde está sua casa e os fornos de carvão. Com pouca proteção, Moacir corta as árvores de bracatinga para fabricar seu ganha-pão. "Prejudica a saúde", conta. Mesmo com o risco, ele produz dois fornos por semana e vende o carvão para churrascarias da região. Cada saco é vendido diretamente por R$ 5,50 para os restaurantes. Ele ainda vende para alguns intermediários.

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