Entre junho e julho olhos ficam atentos
Para pequenos e grandes produtores, o serviço de Alerta de Geada parceria do Iapar com o Simepar já está em funcionamento desde o 2 de maio e deve continuar assim até o final de agosto. Mas é entre junho e julho que os olhos e ouvidos ficam ainda mais atentos às mudanças climáticas.
Desde o ano 2000, quando o Paraná sofreu com uma geada severíssima, as resistências quanto ao serviço diminuiu muito. Naquele ano, segundo o engenheiro agrônomo Paulo Henrique Caramori, cerca de 30% dos produtores se rendeu ao alerta do Iapar e tomou as providências necessárias. ''Daqueles 30%, 100% não tiveram perdas com a geada'', conta Caramori, da área de agrometereologia.
''Hoje já estão mais receptivos. Foi preciso perder para sentir na pele'', conta. ''Em 2000, faltou acreditar porque haviam alertas desde o dia 11 (a geada forte daquele ano aconteceu no dia 13 de julho'', explica. Segundo o engenheiro agrônomo, é possível prever uma geada com até três dias de antecedência. ''Previsões com mais de uma semana são especulações'', explica.
É claro que a natureza não é algo previsível. Mas estudo ao longo dos anos identificaram alguns padrões. De acordo com Caramori, as geadas são divididas em três graus diferentes. Geadas severíssimas como as de 1975 e a de 2000 acontecem em intervalos de 20 a 30 anos. As severas surgem em média a cada seis a oito anos. Já as moderadas não têm uma frequência regular.
Segundo o engenheiro agrônomo, que não chegou a presenciar a geada de 30 anos atrás, o vento frio de 18 de julho de 1975 começou a queimar a lavoura de café às 16 horas. Por causa desse vento é que a geada daquele ano foi considerada negra. Ao contrário da branca tão mortal quanto , a negra não deixa um manto claro de gelo. Só o tom escuro das folhas queimadas.
Para o jornalista Jota Oliveira, que se define como um 'geadeiro', ele define as estações do ano conforme as geadas. ''Se no fim de abril acontecem umas geadinhas, é sinal de que vai ficar frio até o final de outubro. Mas se o inverno, como agora, demora para chegar, pode ser sinal de uma geada forte'', conta. (K.M.)





