Entre 2001 e 2004, Maria Liane Brun foi figura constante em programas jornalísticos da televisão. Procuradora de Matinhos (Litoral do Estado) no período, ela diz que sempre "aparecia falando sobre os problemas do município". A advogada já estava aposentada, mas continuou trabalhando com Direito. Pelo o que conta, não foi a melhor época de sua vida - e por um só motivo: nestes quatro anos, ela ficou longe da cozinha.
A correria diária na procuradoria tomava todo o tempo de Maria Liane. Não sobrava quase nada para usar as mãos e a cabeça para fazer fazer os doces que tanto adora. Nos quatros anos em que se dividiu entre Matinhos e Curitiba, onde também foi procuradora de 1980 à 1989, muita gente deixou de se deliciar com pães de mel, pés-de-moleque, bombons, trufas e outros doces que Maria Liane faz. Ela começou fazer doces com uma produção pequena, para festas de parentes e amigos. Depois passou a aceitar encomendas, mas tudo de forma artesanal. Agora, o processo está mais profissional e ela comercializa as delícias em uma loja (Avenida Paraná, 2848 - loja 10) que leva seu nome.
Até se aposentar, Maria se dividiu entre o Direito e os doces. Gostava de fazer desde sempre. Como diz, passou a trabalhar com coisas boas, que trazem felicidade - e o que é um doce senão motivo de felicidade instantânea? Na época do Direito, emenda, só trabalhava com problemas. A loja, inaugurada em fevereiro deste ano, é fruto da opção pela doce vida. Ela está fechando, definitivamente, sua participação na vida como advogada. Os processos ficaram para trás. Agora, o escritório baixa as portas para dar lugar ao espaço que instiga as sensações. "É um trabalho gostoso", define a nova fase.
Quem lê "pão de mel, pé-de-molque, bombom, trufas" acaba pensando que são doces comuns. Ela discorda. "Nada do que faço é tradicional", diz. As simples receitas desses doces vão sendo testadas até se transformarem em algo novo, que sempre faz salivar mais. O pé-de-moleque ganha chocolate ao leite envolvendo o amendoim crocante e muda de nome; passa a se chamar "Sem parar". "A pessoa começa a comer sem parar e quando percebe, já acabou", garante Maria.
Da troca de informações com clientes - atendendo os pedidos mais gulosos destes - surgem outras delícias, como a "Baba de damasco e pão de mel". Ela mesmo explica. "Uma colega sempre pedia um pão de mel com bastante recheio de damasco. Mas no pão de mel tradicional, o damasco acaba se misturando com o chocolate. Então tive a ideia de pegar uma forma de bombom e colocar uma camada de pão de mel e o recheio de damasco". O nome do doce é outro achado. "Falei para essa amiga que ela poderia usar um babador para comer. Ela adorou o resultado", relembra.
Depois disso, já inventou o "Damascão", uma espécie de mini-bolo com muito chocolate e damasco, e o sushi de chocolate, uma massa de nozes, castanhas e frutas secas envolta por chocolate, que se faz da alga do tradicional prato japonês. "Uma fábrica grande acabou de lançar o sushi de chocolate, mas eu estava desenvolvendo há mais tempo", diz orgulhosa, como quem não fica devendo nada a ninguém.
Por fim, outra maravilha feita por Maria Liane traz o formato e o sabor da vedete da estação, o bombom de pinhão. Por fora, um bombom normal de chocolate, mas com o formato do pinhão. O segredo está no recheio, uma espécie de brigadeiro de pinhão de cor clara e consistência cremosa, daquelas que escorrem pelos cantos da boca quando se morde. Deu vontade? "Meu maior prazer é ver o resultado que produz nas pessoas; vê-las comendo, gostando, pedindo mais...", comenta, de boca cheia.

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