Entre a casualidade e a produção
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quinta-feira, 01 de maio de 1997
Mariela de Castro Santos 
Gilson CamargoCamisetas com bandas da cena metal, muito preto e jaquetas de couro compõem o figurino despojado da banda BrainstormHá quem não dê a mínima para o vestuário na hora de subir em um palco. Ou, pelo menos, há os que fingem que não ligam - toda aparência, bem ou mal cuidada, no fundo é estudada. O que se pode notar, porém, é que algumas bandas fazem questão de se produzir especialmente para shows, com roupas que só servem para isso, enquanto outras transportam para o espaço sob os holofotes o estilo do dia-a-dia.
Pegue-se, por exemplo, um dos dinossauros do rock curitibano, o Blindagem. A principal marca de seu visual são os cabelos compridos, rebeldes, bem ao estilo roqueiro. Vestimos o que usamos normalmente, mas com alguns requintes, diz o guitarrista Paulo Teixeira. Algumas peças são especiais para shows, como uma calça listrada ou uma camiseta mais transada, confidencia.
Albari Rosa
O Resist Control (foto de cima) veste-se inspirando na streetwear e na moda do surf e skate, enquanto o Senhor Banana prefere um look mais comportado
É mais ou menos nessa linha que outro decano do rock, o Bartenders, se veste. Couro preto nas calças e jaquetas é um clássico que não sai de moda. Quem paga para ver um show quer não só a música, mas também o espetáculo como um todo, e isso inclui iluminação, vestuário, interpreta o baixista Carlos Gaertner. Por isso nos preocupamos em usar roupas que combinem com o som da banda, pensando no público mas também sem fugir ao nosso estilo pessoal.
A regra geral entre as bandas curitibanas é manter a personalidade dentro e fora do palco. Nesses casos, o que vale bastante é também a escolha dos acessórios: botas, cintos, fivelas, jaquetas, coletes. Isso é o que contribui para mudar a roupa a cada apresentação, outro cuidado da maioria dos músicos. Cada integrante leva pelo menos cinco mudas de roupa para cada show, para decidirmos em conjunto, poucas horas antes, o que cada um vai vestir, afirma o vocalista do Senhor Banana, Eduardo Pizzato.
Embora adote um estilo mais comportado, com calças e camisas que não fogem do que espelham as vitrines da cidade, o Senhor Banana é fiel ao tipo de som a que se propõe e se enquadra no estilo aceito por seu público. Se o reggae é a música, a descontração é o que coordena a roupa. Levar várias mudas de roupa para o camarim evita também outra coincidência desastrosa: a de dois membros do grupo vestirem roupas muito parecidas.


