A falta de um posto da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no terminal de cargas (Teca) do Aeroporto de Londrina é um entrave logístico para a região. Determinadas cargas, como medicamentos, alimentos, e material de higiene, exigem vistoria do órgão para serem desembaraçadas. Toda vez que se faz necessário vistoriar esses produtos, é preciso agendar a visita de um técnico de Maringá.
O presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Valter Orsi, acredita que, caso a Vigilância estivesse presente no Teca, grandes empresas passariam a utilizar o terminal para sua exportações. "Há uma estimativa de que só a Sandoz despacha 700 cargas internacionais por ano", declara. Na visão de Orsi, somente as cargas do laboratório de medicamentos com sede em Cambé seriam suficientes para viabilizar o posto da Vigilância Sanitária no terminal.
As entidades empresariais tentam convencer o governo a instalar a Anvisa em Londrina. Mas, por meio da assessoria de imprensa, a agência informou que a quantidade de cargas que chega ao Teca de Londrina é "muito reduzida". E por essa razão, o "atendimento é feito pela equipe de Maringá", cidade que conta com um porto seco privado. "No momento, não há previsão de implantação de um posto específico para Londrina", diz a assessoria.
Mesmo sem Anvisa, a movimentação no terminal de cargas (Teca) do Aeroporto de Londrina cresceu mais de 26 vezes de janeiro a julho deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado. Nos sete primeiros meses de 2013, passaram pelo Teca 78 unidades de carga, totalizando 20,2 toneladas. Já, em 2014, foram 33.299 unidades, num total de 540,6 toneladas.
Ainda é pouco, como admite o superintendente da Infraero, Marcus Vinícius Pio. O terminal, que movimentou cerca de 77 toneladas/mês, tem capacidade para, pelo menos, o dobro. "São 550 metros quadrados de área de armazenagem e 113 metros cúbicos para carga refrigerada e congelada", afirma. Mas, o avanço é grande considerando-se o fato de que a unidade, implantada há mais de cinco anos, ficou praticamente sem uso até o ano passado.
De acordo com ele, a movimentação no terminal aumentou devido a um esforço conjunto da Infraero, Acil, e Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel). No início do ano passado, a estatal conseguiu baixar as tarifas de armazenagem em porcentagens que vão de 45% a 65%. E as entidades passaram a divulgar entre os empresários a possibilidade de desembaraçar cargas internacionais em Londrina.
Com taxas competitivas, as empresas passaram a importar pelo Teca. A grande vantagem é o tempo de espera. Enquanto em Paranaguá o processo pode demorar um mês, caso seja enquadrado em canal vermelho, em Londrina, nunca passa de dois dias. "Mesmo com canal vermelho, conseguimos liberar até no mesmo dia. Aliás, conseguimos fazer isso durante a Copa, em dia de jogo do Brasil", garante Pio.

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