ENSINO SUPERIOR - Evasão nas universidades é grande
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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2005
Daniela Tófoli<br> Agência Estado 
Nas faculdades públicas de São Paulo, 28% dos alunos que entram para a graduação abandonam seus cursos. Dados da Universidade de São Paulo (USP) mostram que na maior instituição pública da América Latina a evasão é de 22%. Entre as causas do abandono, a dificuldade de ter amigos.
Dos 42.229 estudantes que entraram nas universidades públicas de São Paulo no ano passado, 11.824 não vão se formar. Como cada um deles custa R$ 25 mil ao ano, o prejuízo fica em, pelo menos, R$ 295,6 milhões. Na maior universidade pública da América Latina, a USP, quase um quarto dos alunos que entram na graduação não acaba seu curso. Eles abandonam a faculdade porque descobrem que fizeram a escolha errada, porque precisam trabalhar ou até porque não conseguiram fazer amigos.
A taxa de evasão, de 22%, é alta e assusta. Mas está sendo comemorada pela USP. Em 1995, ela era de 32%. Apenas três anos depois caiu 10%. Os dados são do Acompanhamento da Trajetória Escolar dos Alunos da USP Ingressantes de 95 a 98, primeiro levantamento feito pela universidade para medir sua evasão total.
O índice de abandono da USP não é muito diferente da taxa geral de evasão que atinge as universidades públicas existentes no Estado. O Ministério da Educação (MEC) não tem dados conclusivos sobre o assunto, mas, utilizando os números do Censo da Educação Superior divulgados recentemente, é possível chegar a uma estimativa.
O dono da Lobo & Associados - Consultoria em Educação e ex-reitor da USP, Roberto Leal Lobo, fez as contas. Se pegarmos o número de alunos que ingressaram no ensino superior público de São Paulo em 2000 e compararmos com o de estudantes que se formaram em 2003 (já que a grande maioria dos cursos de graduação dura quatro anos), a evasão fica em 28%. ''Os critérios para se medir esse abandono não são muito definidos'', afirma. ''Mas dá para perceber que o prejuízo é grande.''
Nem as universidades nem os governos sabem exatamente quanto perdem de dinheiro por causa da evasão. Em 1998, um estudo do Núcleo de Pesquisa sobre Ensino Superior da USP mostrou que um estudante de universidade pública no Brasil custava US$ 8,5 mil por ano (R$ 25 mil). Como a maioria dos alunos desiste do curso no primeiro ano - e sua vaga não é preenchida até o ano seguinte -, o desperdício é de R$ 295,6 milhões. Esse valor aumenta se o universitário desiste nos anos seguintes.
Evasão menor- Na Universidade Estadual de Londrina - UEL -, o preenchimento de vagas ociosas e o baixo índice de evasão mantém o nível de ocupação nos cursos como um dos melhores do País. Estatísticas recentes apontam que o índice de evasão da UEL é inferior a 10%. O programa de ocupação de vagas ociosas, que existe há dois anos, contribui para melhorar esses números. Trezentos e cinquenta e três estudantes já ingressaram na instituição através do projeto. Em um novo processo seletivo, que está terminando esta semana, cerca de 750 candidatos disputam 450 vagas.
Para Jairo Queiroz Pacheco, pró-reitor de graduação da UEL, outra causa para a manutenção dos baixos índices de evasão é a existência de cursos matutinos e noturnos. O estudante tem opção de continuar com os estudos, mesmo quando encontra ou troca de emprego. A condição sócio-econômica também influi. Atualmente, a instituição contabiliza cerca de 500 bolsas de estudo, fornecidas de acordo com critérios acadêmicos. Para 2.005, uma parceria com o Ministério da Saúde, o Programa Brasil Afro Atitude, vai oferecer R$ 241,00 mensais para estudantes que atuarem em projetos de prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e aids. O critério básico de seleção é a carência econômica. A meta da UEL é aumentar em 50% o número de bolsas neste ano.(Colaborou Fernando Faro/ Reportagem Local)


