Ensino precisa de investimentos
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sábado, 21 de agosto de 2004
Fernando Rocha Faro<br>Reportagem Local 
O número de professores que atuam na rede pública de Londrina é suficiente para atender a demanda de estudantes. O investimento no setor público, no entanto, precisa aumentar. Esta é a análise do presidente do Sindicato dos Professores do Paraná (APP-Sindicato) em Londrina, Luís Martins, sobre a situação do ensino público na cidade. Atualmente, são cerca de 5.700 educadores nas instituições estaduais e municipais da cidade.
''O problema é que, enquanto sobram profissionais na área de humanas, faltam professores de exatas, por exemplo'', salienta Martins. A falta de procura pela carreira pedagógica é, para o presidente local do APP-Sindicato, reflexo direto do salário defasado. Martins cobra também maior investimento governamental - tanto na esfera estadual quanto na federal - na formação dos professores.
De acordo com dados do Núcleo Regional de Educação (NRE) de Londrina, a cidade tem hoje cerca de 3.500 profissionais do ramo. O presidente do NRE Rony dos Santos Alves explica que a prioridade do Estado é atribuir aulas aos professores estatutários (concursados), com o objetivo de melhorar a qualidade do ensino. ''Os estatutários podem se fixar na escola e fazer parte de uma política de projeto pedagógico mais eficiente'', avalia Alves.
Os professores contratados pela Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) ou pelo Programa de Seleção Simplificado (PSS) têm maior rotatividade, o que prejudicaria a continuidade e a qualidade do ensino. Para Alves, outra iniciativa importante é a exigência de dedicação mínima de 32 horas dos professores dentro da escola. A esfera estadual é responsável pelo atendimento de aproximadamente 65 mil alunos em 72 escolas.
Para o presidente Luís Martins, a solução também passa pela contratação de mais professores estatutários, mas ele critica o PSS. ''Este programa não garante os direitos trabalhistas dos profissionais'', alfineta. Martins salienta também que o Poder Público deveria promover uma política de formação permanente dos professores, com participação das universidades públicas. ''O essencial é recuperar os salários dos professores e medidas de qualificação do ensino nas esferas federal e estadual'', resume.
Na rede municipal, são quase 2.500 profissionais contratados para atender cerca de 34.500 alunos em 91 instituições de ensino. Para a secretária municipal de Educação, Carmen Baccaro Sposti, o número de professores é suficiente. Ela destacou ainda que as salas de aula abrigam entre 30 e 35 estudantes por turma. A limitação, segundo ela, serve para garantir mais qualidade ao ensino. ''Também é feito investimento na capacitação dos professores'', garante. Como exemplo, ela cita a aplicação de recursos nas bibliotecas escolares e programas de inclusão digital e formação continuada dos educadores.


